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Mês: julho 2023

Felicidade é progresso: Pequenas vitórias que importam

Posted on 19/07/202318/07/2023 by Paulo Gontijo

                Pesquisadores da conduziram um estudo chamado o “Poder das Pequenas Vitórias”, no qual entrevistaram centenas de pessoas no ambiente de trabalho. As perguntas envolviam níveis de humor, motivação e atividades executadas a cada dia. Após vários meses de entrevistas recorrentes, o principal achado foi: Pessoas felizes realizam pequenos progressos dia após dia.

Quando tive conhecimento deste estudo há alguns anos, percebi que teve um profundo impacto em mim. Passei a prestar mais atenção sobre o que tinha sido um dia feliz e um dia triste e a conclusão que cheguei foi exatamente a mesma: Eu terminava um dia mais feliz, quando tinha feito um pequeno progresso.

Exemplos de Progresso no Trabalho

                No momento que escrevo este artigo, tenho trabalhado com o desenvolvimento de software para clientes da indústria de marketing digital e fazer progresso significa, para mim, uma série de coisas, dentre elas:

  • Me engajar em discussões, com pessoas interessadas e com vontade de fazer acontecer;
  • Construir software que resolva um problema real do cliente;
  • Escrever um documento onde eu torne mais claro o entendimento sobre algum problema ou desafio a ser superado;
  • Cursos ou leituras onde tive a oportunidade de aprender mais sobre um tema pelo qual me interesso.

Exemplos de Falta de Progresso no Trabalho

Na via oposta, um dia não feliz para mim é aquele onde:

  • Pulei de reunião em reunião o dia todo, onde a discussão era rasa ou não buscava resolver um problema de forma interessada;
  • Participei de reuniões ou preenchi formulários ou sistemas ligados a questões puramente burocráticas;
  • Respondi email o dia todo;
  • Quis terminar algo, mas urgências emergiram que me evitaram de dedicar o tempo que eu queria, onde eu queria;
  • Eu procrastinei! Sim, algumas vezes, tenho interesse real em iniciar, dar prosseguimento ou concluir alguma atividade, mas isso demandaria um investimento de tempo substancial. Ao decidir procrastinar o início desta atividade e colocar outra com menos relevância em seu lugar eu me percebo mais triste.

Progresso e Felicidade além  do trabalho

Passei a perceber que este grau de felicidade, transbordava o ambiente de trabalho e ia para esferas como levantar cedo, aprender algo novo, fazer exercícios, me organizar e me alimentar bem.

Sou bastante engajado com esportes, atualmente pratico triatlo e crossfit e a ideia de semana após semana, conseguir correr, nadar ou pedalar mais rápido e/ou por mais tempo, bem como conseguir levantar mais peso ou fazer movimentos mais perfeitos no crossfit são o principal motivador para continuar fazendo esportes, dia após dia.

Notei que para obter progresso no esporte, eu precisava me levantar cedo, pois aprendi que o meu melhor desempenho é obtido nas primeiras horas do dia, quando corpo e mente ainda estão descansados. Já, na alimentação, aprendi que se me alimento mal, com frituras e bebida alcoólica, o meu intestino e sono são afetados. Com isso não consigo descansar bem o que impacta diretamente no esporte e no trabalho.

Aprender algo novo é também uma realização de progresso e sinto que aprendo algo, lendo, assistindo cursos e principalmente resumindo ou preparando um texto ou uma aula sobre uma temática específica. Na contramão, sinto que o meu tempo é quase recreativo e até mesmo frustrante quando fico nas redes sociais ou assisto TV, o sentimento de progresso nestas situações é próximo de 0.

Um dia sem progresso é sinal de tristeza?

                A resposta direta é: não! Domingo, por exemplo, é um dia que não acordo cedo, me alimento mal, faço pouco ou nenhum esporte e ainda assim considero um dos dias mais felizes da semana. O motivo? Ele é uma exceção e, portanto, a minha transgressão a “regra” semanal. Naturalmente, se todos os dias fossem iguais a Domingo, o meu senso de progresso que neste contexto está atrelado a esporte e trabalho não existiria e portanto, provavelmente eu seria mais triste. Seria? Quando penso nas férias não é isso que parece, mas ao mesmo tempo, quando penso que minha vida seria só férias, também não me alegro.

Progresso é um ciclo virtuoso

O progresso se apresenta na esfera profissional e pessoal como uma sucessão de atividades significativas durante o dia, que se encadeiam durante a semana e meses. Entendo também que um dia sem progresso, no meu caso, o Domingo, funciona como um lembrete de que dias assim são também importantes, desde que não sejam a maioria! 😊

Por que escrever sobre felicidade?

Posted on 13/07/202313/07/2023 by Paulo Gontijo

Neste link você pode encontrar o primeiro artigo que escrevi sobre felicidade.

Ao embarcar nesta jornada para escrever sobre felicidade, recebi alguns feedbacks sobre o primeiro artigo e o comentário mais comum foi: Por que escrever sobre felicidade? Você não deveria somente vivênciá-la? Ficar pensando sobre felicidade não é que nem ficar pensando sobre quais nutrientes você está ingerindo, calculando calorias, enquanto desfruta de uma excelente refeição? Você precisa relaxar e deixar fluir, deixa a vida te levar…

Pois é ! Discordo

Obviamente não penso o tempo todo em felicidade e certamente você não vai encontrar quem o faça, isso é uma ilusão. Ilusão análoga a acreditar que é possível encontrar nos monges budistas uma capacidade única de estar presente no momento de forma medidativa o tempo inteiro, 24 horas por dias. Dois excelentes livros, um escrito pela monja Tenzin Palmo que ficou 12 anos vivendo em retiro numa caverna no Himalaia e outro escrito pelo mestre Daisetz Teitaro Suzuki desmistificam parte desta ilusão que parece estar associada a notícia da proclamação do monge Matthieu Ricard como a pessoa mais feliz do mundo.

Filosofar sobre felicidade, assim como qualquer outro tema relevante, é se questionar, refletir, pesquisar, criticar, discordar e concordar. É trabalhar a mente, através da prática e da nutrição de conteúdos (livros, artigos, palestras) que te levem a pensar sobre o tema. É muito diferente de deixar a vida te levar… é muito diferente de scrollar a tela, como em uma rede social…

Ao ler e pesquisar sobre este tema que tanto me interessa, aprendi por exemplo, que a felicidade está majoritariamente dentro da gente e na forma como encaramos a realidade que nos é imposta diariamente, aprendi que o progresso, seja no esporte, no trabalho ou na execução de uma atividade, como esta que faço agora ao escrever, são partes integrantes da felicidade e que ao contrário de deixar a vida me levar, é preciso se empenhar, é preciso agir, é preciso escolher ser feliz. É preciso como bem disseram um psiquiatra um marketeiro, aguentar ser feliz.

Percebi que o tema é vasto. Como vimos no primeiro artigo, já está presente há milhares de ano e ainda é um tema amplamente discutido

Pensando nisso, fui reunindo uma série de temáticas, que gostaria de refletir a respeito e que se conectam com este conceito de felicidade. O resultado, certamente mutável, é o mapa mental abaixo. Nos próximos posts, falarei sobre cada um deles em mais profundidade!

Sobre a vida e a felicidade

Posted on 06/07/202306/07/2023 by Paulo Gontijo

Comecei a escrever este texto, com o objetivo de definir felicidade. Minha ideia inicial era juntar o meu conhecimento acumulado com a leitura de livros, palestras e cursos que participei com o objetivo de traduzir em palavras, de forma estruturada, o que eu penso sobre felicidade. Depois de trabalhar algumas semanas e produzir algumas páginas, me dei conta que o tempo todo eu referenciava os conceitos trazido por Platão, Aristóteles, Nietzsche e tantos outros filósofos, mas pouco falava o que o eu, Paulo, pensava e vivenciava. É claro que somos a junção do que herdamos dos nossos pais, dos caminhos que escolhemos, do ambiente em que vivemos, das pessoas com que nos relacionamos, e de todo o conhecimento que adquirimos, portanto, o texto escrito sempre carrega estas variáveis próprias de cada um de nós.

Falar sobre felicidade, mencionando filósofos traz credibilidade ao texto e no fundo o que eu busco ao escrever a respeito é solidificar este conhecimento que fui acumulando, afinal escrever e dar aula, são a meu ver a melhor forma de fazer isso. É bem provável que eu saia, após a escrita deste texto com mais clareza sobre este tópico que tanto me fascina.

O ponto é que durante a escrita eu fui indo para tópicos cujo a literatura clássica não menciona com tanta intensidade como saúde, esporte e tecnologia. Nestes parágrafos via que as referências bibliográficas ficavam mais escassas e me peguei refletindo: Paulo, o que você escreve é mais do que a felicidade, você escreve sobre a vida, aquela que faz sentido, só para você. Foi então que decidi seguir outros rumos e fazer uma reflexão pessoal sobre o que entendo ser uma vida boa. Para você, que lê? Talvez! Mas certamente para mim.

E aí, você se pergunta: mas o que me importa saber o que o Paulo pensa sobre vida e felicidade? Pois é… nada! Minha recomendação, caso você queira se aprofundar na temática, é beber da fonte, ou seja, ler os filósofos, estudá-los. No meu caso, o professor Clovis de Barros foi o grande facilitador e explicador que criou esta ponte, quando beber diretamente da água pareceu me difícil demais, dado a complexidade dos pensamentos destes (experimente ler Kant e entenderá… rssss).

Pois bem, caro leitor (e aqui me incluo). O que você eu e você vamos ler em breve (pois começo hoje esta nova jornada), é um texto que fiz pensando em solidificar os conceitos do que considero uma vida boa e feliz, e novamente, é apenas a junção do que aprendi e vivenciei. Afinal o Paulo é só mais um na fila do pão, fila esta que assim como eu, se mistura a outras mais de 7 bilhões de pessoas no planeta Terra, que se mistura a outros mais bilhões de planetas que orbitam outras bilhões de estrelas. Portanto, ao tomar a decisão de ler o que virá daqui em diante, lembre-se do quão insignificante o autor é.

E pra começar, aproveito a introdução do texto, quase acadêmico que comecei a escrever, e ao longo das próximas semanas vou adicionando mais a respeito.

O que é felicidade?

O dicionário define a felicidade como um estado de bem-estar e utiliza como sinônimo a palavra alegria. Uma boa definição é a de Clovis de Barros que cita que felicidade é aquele momento que você não quer que acabe. Parece uma definição simples e poderíamos encerrar esta introdução por aqui, mas ao lembrar que o que nos trouxe felicidade no momento presente não necessariamente vai continuar trazendo felicidade no momento futuro, percebemos que precisamos aprofundar mais.

Clovis utiliza maravilhosamente uma história sobre pamonha, neste popular vídeo, para ilustrar o fato que a primeira, segunda e terceira pamonha não te causam a mesma felicidade. Comer é um bom exemplo de algo que nos trás felicidade, mas basta pensarmos que continuar comendo exageradamente nos leva a tristeza para entender que a felicidade dura enquanto aquele momento ainda é prazeroso e não necessariamente, ao repetirmos o mesmo prato que nos alegrou teremos este mesmo instante de prazer.

Poderíamos ficar com esta simples definição, mas me vem em mente um outro exemplo: Você colocou como meta escalar o Everest, durante dias você sofreu, em alguns momentos (raros) você aproveitou a jornada, mas a felicidade mesmo sempre esteve muito clara para você: estava em alcançar o cume. Portanto, poderíamos concluir que a felicidade não estava na trajetória, pois se desejo ou espero algo que ainda não tenho (a pamonha, o nosso nobre exemplo, o pico do Everest), só poderia alcançar a felicidade quando o objeto de desejo fosse alcançado. Se escalar o Everest leva dias e permanecer no cume dura poucos minutos (se não você morre congelado lá em cima), poderíamos concluir que passamos mais tempo infelizes do que propriamente felizes?

Ó céus, ó vida! Felicidade parecia ser uma definição tão simples, não é verdade? Vamos com calma, aos poucos vamos caminhando juntos e descobrindo mais a respeito desta tal felicidade. Há no entanto a necessidade de nivelarmos expectativas. Em um mundo de tweets e áudios em 2x, há o anseio por respostas e receitas rápidas, se esta é a sua expectativa, minha sugestão é que você já termine a leitura por aqui e lance mão da leitura do termo no dicionário ou caso queira um pouco mais, utilize o ChatGPT. Em 1 minuto, sua curiosidade será saciada. O objetivo aqui é dissertar, refletir e pensar criticamente, sem a pretensão de esgotar todas as possibilidades.

Sigamos adiante, sabendo que a simplificação da felicidade como um instante que vale por si só é importante, mas como em uma peça de teatro, ou um bom filme, ler o seu resumo na Internet, não lhe proporcionará a mesma alegria do que estar presente e atento enquanto a trama se desenrola.

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