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Mês: maio 2025

Dicas para o primeiro Ironman em Floripa

Posted on 27/05/202527/05/2025 by Paulo Gontijo

Oi, tudo bem? Depois de ter feito 5 full em Floripa, sendo 4 com frio e chuva, compartilho com você algumas questões que podem ajudar. Acredito ser útil principalmente para aqueles que estão fazendo o Iron pela primeira vez. Obviamente o que funciona pra mim não necessariamente vai funcionar para você. Durante a escrita usei o verbo no imperativo mas por favor entenda que esta é apenas uma forma didática de compartilhar conhecimento. Não me interprete como dono da verdade, pois continuo aprendendo a cada ano que faço este desafio tão grande que é o Ironman.  Espero que seja útil.

Sobre o clima – Não temos nenhum controle sobre chuva ou frio, apenas sobre qual será nossa atitude mental e quais roupas iremos usar para nos proteger. Assim sendo, sugiro parar de ficar olhando sites de meteorologia o tempo todo, isso só vai gerar ansiedade. Atue naquilo que está sob seu controle. Desta forma, leve para Floripa o máximo de coisas possíveis para a pior situação, ou seja, 2 macaquinhos e 2 meias (ou short e camisa de corrida/ciclismo) para que possa sempre usá-los secos, um corta vento, um pernito e uma luva. No dia anterior confira a previsão e decida o que vai fazer. E fica tranquilo, até a hora da largada você estará com a roupa de borracha e agasalhado, isso vai te manter quente até a hora da largada.

Sobre se comparar – Eu fiz este treco 5 vezes e até hoje meu melhor tempo não é melhor do que muitos que fizeram uma única vez. Só você sabe das suas lesões, das doenças que te acometeram pelo caminho, dos compromissos que foram mais importantes que os treinos e do seu “histórico de atleta”. Sempre vai ter gente mais forte que a gente, que consegue feitos inacreditáveis treinando pouco ou ingerindo quase nada de carboidrato. Parabéns para eles! Vamos valorizar o nosso esforço. A conquista é sua e a medalha é dada para todos, seja o seu tempo de 8h ou de 17h.

Sobre a alimentação de prova – Leve alguns squeezes e gel a mais e deixe uma reserva no special needs. Se tudo der errado, você perde alguns poucos minutos que salvam sua prova. Não precisa nem dizer que nada de testar coisas novas no dia da prova né?

Sobre sofrer – Durante a prova vai doer, não vai ter graça e vamos querer parar varias vezes principalmente dentro da corrida. Não é o fato de ter torcida, estar numa cidade diferente e bonita que magicamente iremos interpretar tudo lindo como se estivéssemos num show do U2. Esporte é sobre desconforto presente para satisfação futura (quando acaba). Escolher uma atitude positiva e negociar contigo mesmo que você vai terminar a prova, é uma boa forma de encarar as coisas, ainda assim, vai doer, vai ser um saco e só vai ficar legal quando você postar no Instagram quando a prova terminar (lá neste metaverso tudo é lindo). Ah sim, talvez vão te falar que é pra você curtir o momento. Desculpe, mas eu ainda não alcancei esta elevação divina, se você alcançou por favor compartilhe com o universo de forma franca, como consegue manter isso durante a maior parte da prova… rsss. Eu pessoalmente, acho que curti uns 20 ou 30 minutos durante as 10h de prova, ou seja, a minoria do tempo. Ainda assim pretendo continuar fazendo isso pro resto da minha vida.

Sobre mentalizar a prova – Nade no local da prova, corra no local da prova e se quiser pegue o carro e ande no local do ciclismo. O meu convite é visualizar a prova umas 5x antes dela iniciar. Mentalize como você fará a transição, como será o seu ritmo mais lento e o mais rápido e principalmente como será a linha de chegada. Esta é uma tática comum em atletas olímpicos e de alta performance e funciona muito bem para ficar de boa. As primeiras mentalizações, assim como nas meditações são muito difíceis, mas depois vai ficando mais fácil.

Sobre esquecer ou quebrar coisas durante a viagem – Florianópolis é uma capital e provavelmente você irá encontrar 99,99% dos itens que derem problema ou que você esquecer (suplementos, peças de bike, etc). Ainda assim, pra que eu não fique ansioso pensando o tempo todo sobre o que eu deveria levar, sempre uso este checklist para não ter que preocupar.

Sobre redes sociais – Tente não usar ou limitar o uso a uma parte do dia. Ficar scrollando a tela vai te fazer ter contato com coisas que pouco irão acrescentar nesta altura do campeonato. Leve um bom livro e fones de ouvido para ouvir uma música calma. Ahhh, e aproveitar a praia, simplesmente estando sentado na areia apreciando a paisagem, principalmente pra gente que não mora no litoral, é uma das práticas mais satisfatória para conectar com a energia cósmica ou superior que você acredita.

A organização do Ironman está lá para nos ajudar, conte com eles, são sempre muito compreensíveis e atenciosos.

No mais, é isso. Nos vemos na linha de chegada!

A vida é dura

Posted on 26/05/202526/05/2025 by Paulo Gontijo

“A beleza está nos olhos de quem vê”, “tudo é possível”. Aprecio estas duas frases pois elas trazem para mim a missão de escolher e encarar a vida com a minhas próprias lentes e ações.

A vida é dura

A vida é dura para todos nós. Para o rico, para o pobre, para o branco, para o preto, para o homem, para a mulher, para o médico, para o atleta, para o adulto, para a criança. Reconhecer que a vida é permeada de altos e baixos e atuar no que tenho de controle e aceitar o que não tenho me traz tranquilidade e paz de espírito.

Se Deus, ou o acaso, ou as minhas decisões me levaram a ser calvo, gordinho, dotado de inteligência limitada, com dentes tortos, miope, ausente de talentos para música e esportes, eu jamais saberei. Fato é que estas coisas me afligiram durante a vida e hoje, olhando em retrospectiva, acredito que lidei bem com elas.

O calvo

Aceitei a calvície, não sem lutar muito. Com auxílio de minoxidil e finasterida lutei contra os cabelos que caiam. Sofri com isso dos 18 até por volta de uns 28 anos, quando aceitei que não tinha como escapar. Aos 35, com a barba novamente na moda, passei a preferir o Paulo calvo e de barba do que a minha imaginação de um Paulo cabeludo. Sofri? D+. Amadureci, aprendi e aceitei que sobre a calvice o meu poder de ação era limitado. A solução? Passei a enxergar o mundo com novas lentes.

O gordinho

Batalhei contra o Paulo gordinho! Este aí eu peguei pelo laço! Ganhei 30 quilos em 4 anos de faculdade. A obesidade impactou minha vida e a saúde foi por água abaixo. Um médico, em uma consulta de rotina me disse que apesar dos 30 anos, minha idade era de 70, dado a pressão que começava a subir e os péssimos indicadores de sangue. Decidi que essa não era a vida que eu queria e com controle alimentar e esporte, hoje os indicadores sanguíneos, a saúde e o peso estão ótimos.

O míope

A miopia veio bem antes da calvice, e com uns 12 anos eu já usava uns óculo com lentes grossas. Não era aquele fundo de garrafa exagerado, mas enfim! Também não foi fácil aceitar. A coisa deu uma piorada, quando perdi meu dente da frente em uma partida de futebol. A recuperação deixou ele amarelado e projetado para frente. Imagine você, eu com 30 anos acumulei: miopia, dentes tortos, calvície, obesidade e saúde ruim. A coisa ficou feia! Lembro-me claramente da minha imagem refletida no espelho que tinha na sala de um pequeno apartamento que morava em Copacabana. A imagem da pessoa que eu não gostava estava ali projetada.

O sem jeito pra nada

O talento? Ahhhh… o talento! Meu pai batalhou pra ver se encontrava no filho aqui o dom pro violão, para o futebol, para o volei… mas cara! Deu tudo errado. Quando iam selecionar o time na peladas organizadas no clube que eu frequentava no final de semana, eu era o último a ser escolhido. No violão, mesmo depois de 1 ano de aula, eu aprendi a tocar somente Parabéns e A Banda de Chico Buarque, que não tinha mais do que uns 3 acordes diferentes. Como já vivi 43 anos e ainda não descobri nenhum talento, acho pouco provavel que eu encontre algo parecido agora, mas! Sim, tem um mas! O esporte, no caso o triatlo, apareceu na minha vida. No inicio como o principal catalisador de perda de peso e de conteúdo para impressionar nas redes sociais, depois como um forte aliado para perseguir o “tudo é possível” (o slogan do ironman).

Eu não tenho talento para o esporte… mas olha! Eu tô dando o meu máximo e eu vejo aqui, o lugar ideal para perseguir um sonho que passei a ter: estar entre os melhores atletas do mundo na competição que ocorre anualmente no Havaí. Quando? Não sei. Não depende só de mim. Mas eu juro, eu vou pra este treco, nem que seja com 80 anos de idade. Este é o meu sonho, este é o meu desafio! E depois que eu realizar este sonho? Sei lá… vamos primeiro realiza-lo né?

O de inteligência limitada

Sobre a inteligência limitada. No colégio eu tirava 7 em quase tudo. De vez em quando tirava 5, mas então era resgatado pelas provas de recuperação. Só com a matemática eu tinha alguma facilidade. Os números conversavam comigo, mais do que as letras e média era 8.5. Nunca tomei bomba. Fui pra faculdade, não fui habilidoso o suficiente para passar na UFMG. Formei em Computação também com notas medianas e tive uma carreira razoavelmente ok, mas por volta de uns 35 anos, junto com meu processo de emagrecimento passei a ler mais sobre comportamento, psicologia, filosofia. Consultei minha IA generativa de estimação e ela disse que inteligência está relacionado a raciocinio lógico, assimilar novas informações, ajustar conhecimentos passados e contextos, gerar e conectar ideias dentre tantas outras. Continuo me achando um rapaz mediano no que tange isso tudo aí, mas cara… vou te falar, eu consegui desenvolver uma parada, que me orgulho muito, que é ser camaleão.

Algo bom: o camaleão

É! Eu tenho uma capacidade que muito me orgulha de olhar quase toda afirmação ou idea, buscando o contraponto, mas ao invés de ser o chato que investe neste contraponto buscando o tempo todo vencer o ponto, o que me orgulha é a capacidade de encontrar o caminho do meio! Não é 8, não é 80 é 44. Sinceramente não sei ao certo como adquiri isso. Atribuo as minhas leituras constantes de filosofia e psicologia. O nome deste tipo de inteligência? Não sei. Na verdade nem sei se isso pode ser considerado inteligência, mas fato é que eu desenvolvi isso depois de velho já.

Ressignificando tudo

Na calvice, na miopia, na inteligência limitada, na ausência de talento, na obesidade, creio que os pontos de inflexão foram relacionados a enxergar o que era ruim, com olhos de quem vê coisa boa e de reinterpretar o limite como uma barreira autoimposta. “A beleza está nos olhos de quem vê”, “tudo é possível” são hoje meus mantras de vida e isso me dá uma sensação de liberdade muito grande. Saber que dá pra ser uma versão melhor de mim dia após dia, que posso interpretar o mundo sob a minha ótica e tolerar aquilo que não depende de mim, é certamente minha melhor escolha e portanto minha liberdade 🙂

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