paulo_gontijo_logo
Menu
  • HOME
  • Sobre mim
  • IA
  • Contato
Menu

Categoria: Reflexões

Reflexões sobre esta loucura que é viver

Posted on 29/01/202629/01/2026 by Paulo Gontijo

Este é um escrito em que reflito sobre a vida. Nele trato sobre incertezas, a eterna busca da perfeição, o esforço que gera sorte, sobre a priorização das nossas inegociáveis 24 horas diárias, sobre vícios e prazeres, sobre o cuidar de si para cuidar do outro, sobre conhecimento que gera valor somente quando colocado em prática, sobre verdades transitórias. Ao final concluo com aquilo que entendo ser a resposta sobre quem nós somos como individuos.

Inventei algo que está aqui? Claro que não, afinal somos todos produtos do ambiente, da hereditariedade, dos caminhos que pressupostamente escolhidos e não escolhedis, da sorte e da falta dela. Portanto as reflexões abaixo são apenas o resultado da ausência do livre-arbitrio, ou você continua acreditando nele?

Sobre a incerteza da vida

O conhecimento é uma forma de nos entendermos. Mas o conhecimento não é finito. A ciência, que tanto respeitamos muda suas conclusões o tempo todo. Na contramão, ansiamos por estabilidade, por certezas. É natural que a ciência aprimore seus métodos, é natural que novos cientistas conduzam novos experimentos com tecnologias que antes não existiam e descubram coisas completamente diferentes do que descobriram há tempos atrás. É só pensar sobre ovo e vinho. Parece que a cada 5 anos a ciência muda suas conclusões sobre se estes fazem bem, ou mal.

Portanto, se até a ciência precisa lidar com a incerteza e com a mudança o tempo todo, há um aprendizado: não há certezas.

Em determinado dia, o que me motiva é X, no outro é Y,  num dia o que priorizo é X no outro é Y, num dia a minha decisão é X e no outro é Y. Adicionando mais confusão ao cenário, cabe ressaltar que a filosofia que parece produzir os melhores pensadores do mundo, nos oferece muito mais perguntas e menos respostas.

Perfeição é o fim. Continuemos buscando…

Se não há uma verdade absoluta (estou afastando aqui questões religiosas), isso tende a nos deixar sem norte, até mesmo desesperados. Afinal, se eu não sei a melhor forma de me alimentar, de ganhar dinheiro, de reduzir as chances de doença e de ser feliz, como devo acreditar em algo? Entra aí o pulo do gato: A beleza da vida não está na resposta, está na busca, eterna! Vivemos enquanto buscamos. Se alcançamos o definitivo, paramos de buscar, nos acomodamos. Viver no desconforto, autoprovocado, ou provocado externamente, é um incentivo a busca. Buscar é viver. Buscar é movimento. A forma como conferimos se um passarinho está morto no chão é cutucando-o e verificando se ele se mexe.

E se buscar é eterno, nossa vida é infinita enquanto dura (novamente afastando aqui as questões religiosas). Que grande beleza há nisso!

Na contramão, se chegamos ao definitvo, ou seja, na perfeição, paramos, cessamos. O interessante nesta história toda é que a etimologia da palavra perfeito é: feito até o fim, não tem nada a ver com continuar fazendo bem feito.

Não é portanto sobre ser perfeito, é sobre buscar eternamente a perfeição, sem no entanto, tocá-la, atingi-la.

Esforço que gera sorte

Buscar demanda esforço. E esforço leva a excelência. Note que excelência não é perfeição. Excelência (ou como os coachs modernos citam: alta performance), é ser a SUA (e não a do outro) melhor versão. Pense num atleta olimpico, num empresário, num cientista, em alguem que você muito admira, essa pessoa se esforça? Parece buscar eternamente o melhor naquilo que ela faz? Pois é. Admiramos o esforço, mas ao mesmo tempo usamos a sorte do outro, para justificar a ausência do nosso esforço. Isso parece nos levar a sofrer menos e aceitar nossa mediocridade. Assim, se um atleta performa mais do que eu, se um empresário é melhor sucedido do que eu ou se alguém é mais rico do que eu, é pq ele nasceu com “tino” ou teve sorte na vida. Eu? Bem… não tive sorte e nem nasci pra isso. Escolho o próximo problema e sigo minha vida.

Sobre a prioridade das nossas escolhas

A empolgação não deve ser no chegar lá, deve ser no continuar a busca para chegar lá. E só há uma forma de aumentar as chances: investir em nós mesmos. Investir significa, priorizar o tempo que tenho, e sim, para todos nós, terráqueos, este tempo tem 24h diárias. Assim se priorizo, nas minhas 24h, atividades que me tornam mais próximos daquilo que considero querer ser e me dedico com o melhor que posso aumenta-se, e muito, minhas chances de eu ser uma versão de mim que será melhor hoje do que foi ontem.

Sobre os vícios e a necessidade de se vigiar

O corpo e a mente pedem prazeres. Beber, comer, dormir até tarde, protelar o que for dificil buscando o fácil à vista como recompensa rápida. A vigilia constante é fundamental para nos manter nos trilhos. O pensar lá na frente, no que se deseja alcançar. A eterna busca pela excelência, demanda abdicações presentes. Quanto mais nos conhecemos, quanto mais conhecemos os mecanismos que afetam nossas escolhas, mais livres somos em tomarmos decisões que nos levam de encontro a nossos objetivos de longo prazo em detrimento de prazeres momentaneos.

Ao cuidar de mim cuido do outro

Ao cuidar do meu físico, do meu intelecto, do meu trabalho, estou cuidando de mim e me doando para o outro. Ficar vagabundeando pela vida, é portanto, uma agressão a si e ao próximo. Se entupir de comida, não estudar, não trabalhar em algo que importa não é só uma forma de se prejudicar, é uma forma de prejudicar a sociedade e quem você ama.

Preparar é praticar

Não se aprende a ser um melhor atleta, um melhor profissional, se eu apenas aprender e não colocar em prática. Isso é obesidade intelectual. Conhecer e cuidar de si é uma prática, que leva a excelência. O futuro que está por vir é o que está sendo escrito agora.

Conhecimento não é aquilo que sabemos. Conhecimento é praxis, é execução. Quantas pessoas conhecemos que muito falam, muito pensam, mas pouco colocam em prática aquilo que elas mesmos pregam? Temos um nome para isso: hipocrisia. E sim, imperfeitos, somos todos hipocritas, ou você não é? Se não, me ensine, quero aprender.

Verdades transitórias

Conhecer-nos é um eterno fluxo, mas é preciso estar atento. Utilizando a fome como exemplo: Questionar-se: pq senti fome? Foi tédio? Como posso sentir menos fome? Quando eu avancei num snack foi pq eu deixei a emoção me controlar ou foi pq eu vacilei com a alimentação prévia e cheguei a tal ponto que não consegui mais segurar a fome? Existe formas de me tornar melhor no controle da fome? Será que vale a pena experimentar o jejum internitente? Será que vale a pena cortar carboidratos de forma radical? Será que vale a pena comer a cada 3h? Não tem resposta certa, é necessário questionar, experimentar. E pasmemos, o que funcionou hoje, pode não funcionar amanhã. Não paramos de nos conhecer nunca. Somos portanto, um eterno ser. Por um momento somos de um jeito, por outro momento somos de outro jeito.

Se deixar ser empurrado pelo vida, absorto em tarefas cotidianas, como assistir TV, cozinhar, dirigir, “trabalhar” (entre aspas, pois na praxis nos desenvolvemos), é navegar a vida, sem melhorar a si mesmo. Acho que não é isso que queremos.

Quem somos?

Somos a soma do que nos foi determinado e do que pressupostamente escolhemos sem saber que aquilo também já estava determinado. Comer, dormir, aprender, exercicitar-se. Ou: acordar, perambular, usar rede social, assistir TV, preencher relatórios, etc.

Há livre-arbitrio na escolha? Assunto para outro tema que escrevi aqui.

42

Posted on 30/11/202530/11/2025 by Paulo Gontijo

Sim! 42 é a resposta! Mas calma. Qual é a pergunta?

Esta sátira foi escrita no livro “O guia do mochileiro das galáxias”. Nele, é narrado que depois de milhões de anos, o computador mais potente do mundo, produziu a resposta para a pergunta definitiva sobre a existência. Eis que surge a resposta: 42!

O problema é que ninguém lembrava mais a pergunta.

Esta é a ironia e a beleza da vida: ela não tem respostas definitivas para as grandes questões. Ainda assim, o nosso mundo está repleto de fórmulas prontas, receitas para o sucesso profissional, pessoal. Resolução absoluta para o corpo e mente. A disposição: pílulas (agora também em forma de injeções) e comportamentos, que se repetidos, te levarão a ser imune ao sofrimento, plenamente feliz, rico e com um corpo de atleta olímpico!

A ciência, que tem como espinha dorsal a causalidade, quando citada, parece que eleva o narrador ao status de dono da razão. Também pudera, durante a pandemia, uns malucos tiraram do “suvaco” a ideia de que vacina é vilã e não solução. Como combatemos estes loucos? Ciência neles, e ciência para tudo a partir de agora: você está apaixonado? Então é porque um neurotransmissor, entrou em contato com outro, que produziu uma sensação X e agora você está apaixonado. Está sofrendo? Calma, iremos aplicar uma injeção de um neurotransmissor Y e em minutos você estará bem.

Agora passemos adiante. Vamos falar de Deus!

Mas calma! Deus? Não. Se você acredita na ciência, se você é inteligente o suficiente para compreender E=mc2, você não pode vir com estas conversas. Você deve falar sobre quântica, Big Bang, Darwin e outras teorias cientificas. 

Mas calma! 

De novo! 

Deus não é íntimo? Não está dentro de nós? Depende Paulo, tem religião que diz que ele está no céu e é um senhorzinho muito bom, de barba branca e que as vezes fica bravo e manda trovões para castigar a humanidade pelos seus erros.

Certo!

Mas calma! 

De novo, 

e de novo! 

O erro não estaria na pergunta? Sim… e morreremos com ela. Não tristes, por não ter a resposta, mas felizes por saber que a vida é este mistério, muitas vezes, não científico. Que possamos repetir sempre: O que/Quem é Deus? E ao invés de entristecer pela dificuldade da resposta definitiva, nos alegremos em saber que a pergunta é completamente equivocada.

Livre-arbítrio

Posted on 08/09/202508/09/2025 by Paulo Gontijo

Terminei hoje a leitura do livro “Determinados, a Ciência da vida sem livre-arbítrio”, do badalado escritor Sapolsky.

O livro é um convite a repensar a vida, sobre o que nos parece quase que óbvio atualmente, frente a tantos influencers e coachs que inundam a internet: A falácia de que para ser rico, ter um corpo forte, ser feliz, só depende da gente. É como se o mundo gritasse: “se você é bom, foi porque você teve força de vontade, se você é um fracassado, compre meu curso e poderá mudar de vida”.

Acredito de fato na transformação por meio da educação, que nos permite conhecer mais sobre nós mesmos e sobre o mundo, a ponto de fato de mudar e esculpir nosso futuro. Mas se não existe livre-arbítrio (de acordo com Sapolsky), para que estudar? Para que mudar o futuro, se já está tudo definido?

Quero usar a minha história para trazer mais clareza sobre como penso o livre-arbítrio depois da leitura deste livro. Se quiseres 1000 outros exemplos, embasados na neurociência, recomendo a leitura do livro. A minha história apenas ilustra os conceitos, não tem pretensão nenhuma de ser estilo de vida e de ação a ser seguido.

Em 2000 iniciei a faculdade de ciência da computação; entre o início e o fim em 2004, ganhei 27kg, muito conhecimento na área de tecnologia, muitas novas amizades que duram até hoje e várias crises de gastrite oriundas do excesso de álcool. Este período foi o alicerce para uma carreira que considero bem sucedida e ao mesmo tempo a fonte de problemas de saúde que culminaram em indicadores de saúde como pressão e colesterol altos.

É aqui que começa uma bifurcação do caminho que uso para ilustrar o livre-arbítrio, ou melhor dizendo a ausência dele. Por volta de 2012, minha esposa estava grávida e eu já refletia sobre as minhas novas responsabilidades: ser pai.

O trabalho estava extremamente estressante, eu empurrava um dia após o outro, tentando me livrar de cada novo problema que aparecia diariamente. Nos finais de semana (que já começava na quinta-feira) eu me anestesiava com álcool e comida em excesso. Eis que, num exame periódico o médico me disse de forma sarcástica: “Parabéns, apesar dos seus 30 anos, sua idade biológica é de 70. Se quiseres ver a sua filha crescer, mude de vida”.

Pois é… não escolhi passar por aquele médico, aliás, vários médicos constataram ao longo dos anos, os mesmos péssimos indicadores e se limitaram a dizer: cuide-se, mas aquela frase, combinada com o momento de vida em que eu estava, mudaram radicalmente o rumo da minha vida.

O fato é que alguma sinapse mais intensa aconteceu, e aos poucos, muito aos poucos, eu fui cuidando mais do corpo, inseri exercícios, dieta mais balanceada, passei a prestar mais atenção ao estresse e de pouquinho em pouquinho minha vida foi mudando. Hoje meus exames estão ótimos e minha idade biológica é 8 anos mais jovem que a idade real. Prato cheio para abrir um canal no Youtube, vender cursos de coach e receitas do tipo: faça o que eu faço e terá sua vida transformada.

Realmente, não acho que seja assim. Entendo hoje, que o que aconteceu comigo, no momento que recebi a fala do referido médico é que aquele momento de vida, culminou em uma alteração de vida, que repetida dia após dia criou um novo Paulo.

Fui livre para decidir? Eis a pergunta que ainda me pego refletindo. Para satisfazer o ego? Sim. Cientificamente falando? Não. O referido momento, que marcou a mudança, não foi uma decisão que ocorreu do nada, fruto de uma decisão que iniciou em um único neurônio e que como em uma orquestra emanou som para uma rede maior, que culminou em mudança de vida. A decisão foi fruto do que havia acontecido comigo, de forma cumulativa, nos minutos, dias, semanas e anos que antecederam a fala do médico.

Eis aqui, duas formas que ilustram a inexistência de livre-arbítrio:

(1) Ao contrário do que parece, não fui livre para escolher Ciência da Computação na Universidade Fumec, na verdade só fui pra lá pois não fui aprovado na UFMG em Engenharia, não fui livre para me encantar com a beleza da Carla, que hoje é minha esposa e mãe das minhas filhas, não fui livre para me mudar para o Rio e viver lá uma vida de estresse, afinal se eu não fosse eu perderia meu emprego, não fui livre para não vivenciar o estresse do trabalho tendo ido parar numa área que tinha como premissa funcionar 24h7.

(2) Também não fui livre para receber a notícia do médico, tal qual não fui livre para, influenciado por esta, sentir a vergonha que passei quando me olhava no espelho, gordo e sem saúde, também não fui livre ao decidir começar a praticar esportes, comer melhor. Não fui livre ao escolher ler, e me conhecer melhor através da filosofia, em detrimento a maratonar uma série da Netflix ou o feed infindável do Instagram. Tudo foi novamente determinado pelo minuto anterior, pelo dia anterior e pelo mês anterior.

O que difere a inexistência do livre-arbítrio de 1 e de 2? É que o 2, me leva para um caminho mais longevo e feliz do que 1, ainda assim, com inexistência de liberdade, ou seja, completamente determinado. Hoje já não consigo escolher uma vida sem alimentação saudável e esporte.

Quero dizer que assim como não escolhi 2, também não escolhi 1. Assim como uma criança preta e pobre que não escolheu nascer na África e levar uma vida com subnutrição e encerrada precocemente antes da adolescência, também não escolhi o que me trouxe até aqui.

O caminho mais virtuoso que me trouxe até o hoje foi fruto não de liberdade de escolha, foi fruto do que me aconteceu ontem, na semana passada, no ano passado, além do que aconteceu na minha infância, no meu ambiente, nos meus hormônios e tudo mais.

Por fim, o caminho 2, que me trouxe até aqui, com melhor saúde, alegria de viver e autoconhecimento, provavelmente vai me levar a caminhos melhores. É portanto uma espiral ascendente e novamente, é fruto do que me aconteceu minutos, horas, dias e anos atrás. A diferença é que agora, este passado, tem melhores pegadas que provavelmente (e não com 100% de certeza) me levarão em direção a um caminho melhor do que as pegadas do caminho 1.

Difícil de aceitar né? Confesso que ainda me causa estranheza pensar que 100% do que faço no agora não é livre, mas o argumento principal que o Sapolsky provoca é: não há geração espontânea de ideias nem ação, é tudo fruto do que foi feito ou impacto nos momentos anteriores. Se retrocedemos nossa vida minuto após minuto, vamos parar no princípio dos tempos. Tempos estes que influenciaram, definiram e continuaram a nos definir quem somos.

Maluco Beleza

Posted on 31/07/202531/07/2025 by Paulo Gontijo

Sou dois, ao mesmo tempo que sou apenas um. 

O corpo sente, vê, come, cheira. Corpo este que ancorado por uma parte do cérebro toma decisões mais emocionais (exemplo: comer uma barra de chocolate quando estou muito entediado) ou mais racionais (exemplo: não vou beber hoje com a galera, pois amanhã preciso levantar cedo e estar bem). Chamo esta parte do “eu natural”, certamente influenciado por algum pensador que não consigo me lembrar quem).

Existe uma outra parte de mim, que imagina, que interpreta, que toma ações, que acredita julga, a este chamo de “meu eu”.

O “meu eu”, não pode ser definido pela afirmação do tipo: ele é um cara alegre, estudioso, que gosta de esporte, nem tão pouco pode ser definido pela negação: ele não dorme bem, ele não é pró-ativo, ele não dá o braço a torcer. Isso pois nem sempre sou alegre, estudioso e gosto de esporte, nem tão pouco sempre durmo bem, sou pró-ativo e dou o braço a torcer.

A ideia de ser alguém, é absolutamente transitória, depende de um lapso temporal, que pode ser curto (hoje) ou longo (vários anos).

Portanto, se eu sou eu e ao mesmo tempo não sou eu, o que eu sou? Gosto do pensamento do zenbudismo: nada! Não é niilismo. É nada real. É uma transformação constante! Não tem como definir o Paulo, tem como definir o Paulo agora neste instante que já acabou e que não deu espaço nem mesmo para a tal da definição, no passado era no outro, no futuro será outro ainda.

Se eu não sou nada, que sentido tem a vida? Aí é que a palavra sai de nada para tudo. Pois a vida e o mundo podem ser exatamente o que eu quiser. Sim, o que eu quiser que ela seja. Quem dá significado a algo não é o algo, sou eu.

Final de semana passada eu visitei Ouro Preto, fui na igreja de São Francisco, que tem o teto pintado por Mestre Ataíde! Lindo! Me detive por 10 minutos ali só observando. Há 30 anos atrás eu fui lá, não me lembrava nem que o teto era pintado. É porque esqueci? Não. É porque o Paulo daquela época era um Paulo diferente. A igreja é a mesma, quem mudou?

Só que eu sou um no meio de 8.2 bilhões de pessoas, que são tudo ou nada. Que indistintamente, não só pela impressão digital ou pela iris, tem uma única história e um único contexto.

Se o “meu eu” é infinito e o seu “meu eu” é infinito. Tudo é tudo, nada é infinito!

Se tudo é tudo, nada é infinito o que é então? Não sei… me ocupo com o caminho, não com a chegada e ao me ocupar com este caminho, vivencio o infinito, não no futuro, no presente! 

Vou controlando a minha maluquez, misturada com a minha lucidez!

O peso da culpa

Posted on 03/06/202503/06/2025 by Paulo Gontijo

Carregar o peso da culpa é dificil demais. Neste último final de semana fiz o meu 6o Ironman e por uma incompetência técnica na natação e por um possível erro meu na montagem da bike, não atingi meu tempo de prova planejado o que me gerou frustração e tristeza.

A história perfeita para aliviar a culpa e a dor de não ter entregue o objetivo é: o mar estava grande e alguém encostou na minha bike a ponto de entortar o câmbio. O problema de atribuir a culpa a fatores externos é que ele não nos permite corrigir erros internos, eis que a melhor decisão, racional (e não emocional) é inverter a lógica e nos colocar como protagonistas dos problemas e não como vítima, assim corrigimos e melhoramos para as próximas.

Sobre a natação: preciso treinar com mais qualidade na piscina e mais vezes em condições de prova. O fato é que se eu continuar fazendo o que estou fazendo (força e volume), a probabilidade de na próxima prova eu ter resultados iguais aumenta. Portanto a lição que levo é: continue treinando forte, mas também com mais qualidade e sempre que possível praticar no mar e em aguas abertas.

Sobre o problema mecânico: parece que errei ao apertar de mais a blocagem nova que utilizei na prova, isso levou a entortar a gancheira e a estragar o câmbio. Lição aprendida: não trocar equipamentos nem fazer nenhum tipo de ajuste milimétrico que seja na semana da prova.

É isso! Viver a dor, deixar o tempo tomar conta e bola pra frente, com mais uma lição aprendida.

Sobre não desistir

Posted on 03/06/202503/06/2025 by Paulo Gontijo

Neste último final de semana, depois de 6 meses da melhor preparação para uma prova de Ironman, tive um problema na bike, fruto de um erro que cometi que levou ao não atingimento dos objetivos de tempo que eu havia me desafiado.

Ao pegar minha bike na transição, assim que dei a primeira pedalada, a gancheira quebrou, o câmbio traseiro entrou pra dentro da roda e a prova parecia naquele momento ter um fim (descrevi mais sobre o problema aqui).

Enfim, desculpa perfeita para abandonar a prova haja visto que o meu tempo na natação já não tinha sido o planejado.

Felizmente o Ironman disponibiliza uma equipe muito qualificada de mecânicos, que conseguiram cortar a corrente e ligar a coroa dianteira diretamente na catraca traseira sem a presença do cambio que alivia ou aumenta o esforço dependendo da marcha que escolhemos para a ocasião (foto deste post). O grande problema é que isso acarreta em ter que fazer força na prova o tempo todo, durante os 180km. 

Concluí a prova com um dos piores tempos de natação, ciclismo e corrida que já tive nas 6 edições.

Refletindo sobre o ocorrido, percebo que foi importantíssimo não ter desistido. O desistir nos abre porteiras para um caminho que nos torna mais fracos e acaba criando uma “jurisprudência” perfeita para desistir novamente no futuro.

No lado oposto, quando não desistimos, uma conexão nova parece ser criada no cérebro que diz: você é forte, você é capaz, mesmo com as adversidades! E eu acho que esta conexão será ativada pra sempre em momento futuros.

Portanto, nos treinos, ou na prova, o que nos torna mais fortes é certamente, não desistir. Fazer o que tem que ser feito mesmo nas situações mais adversas. 

Dicas para o primeiro Ironman em Floripa

Posted on 27/05/202527/05/2025 by Paulo Gontijo

Oi, tudo bem? Depois de ter feito 5 full em Floripa, sendo 4 com frio e chuva, compartilho com você algumas questões que podem ajudar. Acredito ser útil principalmente para aqueles que estão fazendo o Iron pela primeira vez. Obviamente o que funciona pra mim não necessariamente vai funcionar para você. Durante a escrita usei o verbo no imperativo mas por favor entenda que esta é apenas uma forma didática de compartilhar conhecimento. Não me interprete como dono da verdade, pois continuo aprendendo a cada ano que faço este desafio tão grande que é o Ironman.  Espero que seja útil.

Sobre o clima – Não temos nenhum controle sobre chuva ou frio, apenas sobre qual será nossa atitude mental e quais roupas iremos usar para nos proteger. Assim sendo, sugiro parar de ficar olhando sites de meteorologia o tempo todo, isso só vai gerar ansiedade. Atue naquilo que está sob seu controle. Desta forma, leve para Floripa o máximo de coisas possíveis para a pior situação, ou seja, 2 macaquinhos e 2 meias (ou short e camisa de corrida/ciclismo) para que possa sempre usá-los secos, um corta vento, um pernito e uma luva. No dia anterior confira a previsão e decida o que vai fazer. E fica tranquilo, até a hora da largada você estará com a roupa de borracha e agasalhado, isso vai te manter quente até a hora da largada.

Sobre se comparar – Eu fiz este treco 5 vezes e até hoje meu melhor tempo não é melhor do que muitos que fizeram uma única vez. Só você sabe das suas lesões, das doenças que te acometeram pelo caminho, dos compromissos que foram mais importantes que os treinos e do seu “histórico de atleta”. Sempre vai ter gente mais forte que a gente, que consegue feitos inacreditáveis treinando pouco ou ingerindo quase nada de carboidrato. Parabéns para eles! Vamos valorizar o nosso esforço. A conquista é sua e a medalha é dada para todos, seja o seu tempo de 8h ou de 17h.

Sobre a alimentação de prova – Leve alguns squeezes e gel a mais e deixe uma reserva no special needs. Se tudo der errado, você perde alguns poucos minutos que salvam sua prova. Não precisa nem dizer que nada de testar coisas novas no dia da prova né?

Sobre sofrer – Durante a prova vai doer, não vai ter graça e vamos querer parar varias vezes principalmente dentro da corrida. Não é o fato de ter torcida, estar numa cidade diferente e bonita que magicamente iremos interpretar tudo lindo como se estivéssemos num show do U2. Esporte é sobre desconforto presente para satisfação futura (quando acaba). Escolher uma atitude positiva e negociar contigo mesmo que você vai terminar a prova, é uma boa forma de encarar as coisas, ainda assim, vai doer, vai ser um saco e só vai ficar legal quando você postar no Instagram quando a prova terminar (lá neste metaverso tudo é lindo). Ah sim, talvez vão te falar que é pra você curtir o momento. Desculpe, mas eu ainda não alcancei esta elevação divina, se você alcançou por favor compartilhe com o universo de forma franca, como consegue manter isso durante a maior parte da prova… rsss. Eu pessoalmente, acho que curti uns 20 ou 30 minutos durante as 10h de prova, ou seja, a minoria do tempo. Ainda assim pretendo continuar fazendo isso pro resto da minha vida.

Sobre mentalizar a prova – Nade no local da prova, corra no local da prova e se quiser pegue o carro e ande no local do ciclismo. O meu convite é visualizar a prova umas 5x antes dela iniciar. Mentalize como você fará a transição, como será o seu ritmo mais lento e o mais rápido e principalmente como será a linha de chegada. Esta é uma tática comum em atletas olímpicos e de alta performance e funciona muito bem para ficar de boa. As primeiras mentalizações, assim como nas meditações são muito difíceis, mas depois vai ficando mais fácil.

Sobre esquecer ou quebrar coisas durante a viagem – Florianópolis é uma capital e provavelmente você irá encontrar 99,99% dos itens que derem problema ou que você esquecer (suplementos, peças de bike, etc). Ainda assim, pra que eu não fique ansioso pensando o tempo todo sobre o que eu deveria levar, sempre uso este checklist para não ter que preocupar.

Sobre redes sociais – Tente não usar ou limitar o uso a uma parte do dia. Ficar scrollando a tela vai te fazer ter contato com coisas que pouco irão acrescentar nesta altura do campeonato. Leve um bom livro e fones de ouvido para ouvir uma música calma. Ahhh, e aproveitar a praia, simplesmente estando sentado na areia apreciando a paisagem, principalmente pra gente que não mora no litoral, é uma das práticas mais satisfatória para conectar com a energia cósmica ou superior que você acredita.

A organização do Ironman está lá para nos ajudar, conte com eles, são sempre muito compreensíveis e atenciosos.

No mais, é isso. Nos vemos na linha de chegada!

A vida é dura

Posted on 26/05/202526/05/2025 by Paulo Gontijo

“A beleza está nos olhos de quem vê”, “tudo é possível”. Aprecio estas duas frases pois elas trazem para mim a missão de escolher e encarar a vida com a minhas próprias lentes e ações.

A vida é dura

A vida é dura para todos nós. Para o rico, para o pobre, para o branco, para o preto, para o homem, para a mulher, para o médico, para o atleta, para o adulto, para a criança. Reconhecer que a vida é permeada de altos e baixos e atuar no que tenho de controle e aceitar o que não tenho me traz tranquilidade e paz de espírito.

Se Deus, ou o acaso, ou as minhas decisões me levaram a ser calvo, gordinho, dotado de inteligência limitada, com dentes tortos, miope, ausente de talentos para música e esportes, eu jamais saberei. Fato é que estas coisas me afligiram durante a vida e hoje, olhando em retrospectiva, acredito que lidei bem com elas.

O calvo

Aceitei a calvície, não sem lutar muito. Com auxílio de minoxidil e finasterida lutei contra os cabelos que caiam. Sofri com isso dos 18 até por volta de uns 28 anos, quando aceitei que não tinha como escapar. Aos 35, com a barba novamente na moda, passei a preferir o Paulo calvo e de barba do que a minha imaginação de um Paulo cabeludo. Sofri? D+. Amadureci, aprendi e aceitei que sobre a calvice o meu poder de ação era limitado. A solução? Passei a enxergar o mundo com novas lentes.

O gordinho

Batalhei contra o Paulo gordinho! Este aí eu peguei pelo laço! Ganhei 30 quilos em 4 anos de faculdade. A obesidade impactou minha vida e a saúde foi por água abaixo. Um médico, em uma consulta de rotina me disse que apesar dos 30 anos, minha idade era de 70, dado a pressão que começava a subir e os péssimos indicadores de sangue. Decidi que essa não era a vida que eu queria e com controle alimentar e esporte, hoje os indicadores sanguíneos, a saúde e o peso estão ótimos.

O míope

A miopia veio bem antes da calvice, e com uns 12 anos eu já usava uns óculo com lentes grossas. Não era aquele fundo de garrafa exagerado, mas enfim! Também não foi fácil aceitar. A coisa deu uma piorada, quando perdi meu dente da frente em uma partida de futebol. A recuperação deixou ele amarelado e projetado para frente. Imagine você, eu com 30 anos acumulei: miopia, dentes tortos, calvície, obesidade e saúde ruim. A coisa ficou feia! Lembro-me claramente da minha imagem refletida no espelho que tinha na sala de um pequeno apartamento que morava em Copacabana. A imagem da pessoa que eu não gostava estava ali projetada.

O sem jeito pra nada

O talento? Ahhhh… o talento! Meu pai batalhou pra ver se encontrava no filho aqui o dom pro violão, para o futebol, para o volei… mas cara! Deu tudo errado. Quando iam selecionar o time na peladas organizadas no clube que eu frequentava no final de semana, eu era o último a ser escolhido. No violão, mesmo depois de 1 ano de aula, eu aprendi a tocar somente Parabéns e A Banda de Chico Buarque, que não tinha mais do que uns 3 acordes diferentes. Como já vivi 43 anos e ainda não descobri nenhum talento, acho pouco provavel que eu encontre algo parecido agora, mas! Sim, tem um mas! O esporte, no caso o triatlo, apareceu na minha vida. No inicio como o principal catalisador de perda de peso e de conteúdo para impressionar nas redes sociais, depois como um forte aliado para perseguir o “tudo é possível” (o slogan do ironman).

Eu não tenho talento para o esporte… mas olha! Eu tô dando o meu máximo e eu vejo aqui, o lugar ideal para perseguir um sonho que passei a ter: estar entre os melhores atletas do mundo na competição que ocorre anualmente no Havaí. Quando? Não sei. Não depende só de mim. Mas eu juro, eu vou pra este treco, nem que seja com 80 anos de idade. Este é o meu sonho, este é o meu desafio! E depois que eu realizar este sonho? Sei lá… vamos primeiro realiza-lo né?

O de inteligência limitada

Sobre a inteligência limitada. No colégio eu tirava 7 em quase tudo. De vez em quando tirava 5, mas então era resgatado pelas provas de recuperação. Só com a matemática eu tinha alguma facilidade. Os números conversavam comigo, mais do que as letras e média era 8.5. Nunca tomei bomba. Fui pra faculdade, não fui habilidoso o suficiente para passar na UFMG. Formei em Computação também com notas medianas e tive uma carreira razoavelmente ok, mas por volta de uns 35 anos, junto com meu processo de emagrecimento passei a ler mais sobre comportamento, psicologia, filosofia. Consultei minha IA generativa de estimação e ela disse que inteligência está relacionado a raciocinio lógico, assimilar novas informações, ajustar conhecimentos passados e contextos, gerar e conectar ideias dentre tantas outras. Continuo me achando um rapaz mediano no que tange isso tudo aí, mas cara… vou te falar, eu consegui desenvolver uma parada, que me orgulho muito, que é ser camaleão.

Algo bom: o camaleão

É! Eu tenho uma capacidade que muito me orgulha de olhar quase toda afirmação ou idea, buscando o contraponto, mas ao invés de ser o chato que investe neste contraponto buscando o tempo todo vencer o ponto, o que me orgulha é a capacidade de encontrar o caminho do meio! Não é 8, não é 80 é 44. Sinceramente não sei ao certo como adquiri isso. Atribuo as minhas leituras constantes de filosofia e psicologia. O nome deste tipo de inteligência? Não sei. Na verdade nem sei se isso pode ser considerado inteligência, mas fato é que eu desenvolvi isso depois de velho já.

Ressignificando tudo

Na calvice, na miopia, na inteligência limitada, na ausência de talento, na obesidade, creio que os pontos de inflexão foram relacionados a enxergar o que era ruim, com olhos de quem vê coisa boa e de reinterpretar o limite como uma barreira autoimposta. “A beleza está nos olhos de quem vê”, “tudo é possível” são hoje meus mantras de vida e isso me dá uma sensação de liberdade muito grande. Saber que dá pra ser uma versão melhor de mim dia após dia, que posso interpretar o mundo sob a minha ótica e tolerar aquilo que não depende de mim, é certamente minha melhor escolha e portanto minha liberdade 🙂

Viver a vida no talo

Posted on 30/03/202530/03/2025 by Paulo Gontijo

Há dias que acordo com um sentimento de que o mundo não cabe dentro de mim, isso reflete um desejo de viver a vida no máximo que me chega a gerar euforia. É como ter passado 24 horas sem comer, e ser colocado frente a um hamburger apetitoso com uma Coca-Cola gelada. A mente fitness, busca te frear mas você não se controla, se atira.

Isso não ocorre todos os dias, talvez ocorra entre 3 e 5 vezes no mês. As vezes ela é eufórica, as vezes ela é contemplativa. Usualmente este momento ocorre aqui em casa, 1h a 2h depois de acordar e depois de realizar meus hábitos matinais (leitura, shot de imunidade, agua, café preto e um bom livro). E também, usualmente ocorre quando o dia nasce e acompanho o escuro dando lugar ao claro.

É uma manifestação divina dentro de mim! É incrível. Dura poucos minutos, depois os afazeres vão tomando o espaço e a euforia ou contemplação se esvai, dando lugar a execução dos hábitos e da rotina.

São momentos escassos, raros e talvez por isso tão cheios de prazer.

Em dado momento, refletindo sobre esta sensação, me questionei: “O que seria o melhor da vida? O que seria viver a vida no talo, para mim?”

Fiz um exercício de decomposição, buscando entender o que me causa ganho de potência, vontade de agir, de viver! Eis que cheguei, no que para mim, é importante hoje! É claro que a vida é inconstante e estes valores não eram assim há alguns anos e certamente não serão daqui outros tantos, ainda assim, fiquei feliz com o resultado, que aqui compartilho, através de uma imagem de um mapa mental.

Me senti tão realizado em fazer este exercício que fica aqui o convite para que o leitor o faça também.

Os ítens em vermelho são aqueles que ainda não alcancei ou que me sinto incompleto em sua realização. Os ítens em preto, são ítens de rotina, e não ítens acabados. Assim, conhecer a mim mesmo, não é um ítem acabado, é uma eterna rotina, uma eterna busca.

Alguns ítens em preto ou mesmo em vermelho, podem representar marcos específicos e objetivos, como uma meta de tempo em minhas competições de triatlo ou investir R$ xmil por mês.

Medalhas

Posted on 28/02/202528/02/2025 by Paulo Gontijo

De acordo com a Wikipedia medalhas são pequenos objetos artísticos portáteis, geralmente feitos de metal, que carregam desenhos ou efígies em ambos os lados. Elas são concedidas como prêmios ou condecorações em diversas áreas, incluindo esportes, serviços militares, realizações acadêmicas e contribuições sociais.

Pois é, tenho mais de 50 medalhas, frutos de esforço, disciplina e dedicação. Foram provas de corrida de 10km, 21km, 42km. Tem medalhas de triatlos feitos na terra, no asfalto, medalhas de triatlo de curta duração e medalhas dos vários Ironmans que fiz.

Estão todas guardadas em uma gaveta e a pergunta natural é: por quê?

Um novo Paulo

Há cerca de 10 anos, quando iniciei a pratica esportiva, primeiro pedalando, depois correndo, e por fim participando de triatlos, eu comecei a criar um novo Paulo. Um Paulo que pesava 100kg deu lugar a um que pesa 70kg. Um Paulo que se olhava no espelho e tinha vergonha deu lugar a um Paulo que sente orgulho da imagem refletida. Um Paulo que dormia mal e que não se autoconhecia para um Paulo que valoriza o descanso e que se autoconhece, de corpo e alma.

Isso inflou meu ego e transbordou para as redes sociais. As medalhas eram, nesta época, estampadas na parede do quarto e no feed.

Em busca de autoconhecimento

A medida que as medalhas eram conquistadas e meu ego crescia, conheci a filosofia de Marco Aurélio, Epicteto e Sêneca; grandes nomes do estoicismo, embora banalizados pela internet. O fato é que estes caras mexeram muito comigo.

No livro Meditações, de Marco Aurelio, ele cita: “Não deixe a fama ou o que dizem de você desviar sua atenção do que realmente importa”.

Eu vivia uma luta interna. Ao mesmo tempo que eu sofria muito nos treinos e buscava resultados melhores nas provas, eu me frustrava. Sempre havia alguém melhor do que eu, que parecia lutar menos, se dedicar menos e estar constantemente feliz. É como se outros tivessem nascido com o dom e como se eu carregasse um fardo. Me mantinha focado, mas buscando entender o motivo de tanta dor e sofrimento nos treinos.

Foi então que, influenciado pelos pensadores citados, resolvi abandonar as redes sociais. Passei a não mais acessar, a não mais seguir pois aquilo me deixava triste. Eu não queria largar o esporte, pois ele já compunha a minha identidade.

O momento da mudança

Algo estranho aconteceu, quando em um churrasco aqui em casa, a gente conversava sobre competições e eu havia citado que tinha participado de dezenas de provas e as pessoas duvidavam. Citei que as medalhas estavam na gaveta, guardadas, foi então que me convidaram a pegá-las. Peguei, e a surpresa e admiração das pessoas que estavam presentes, me fez refletir: Parece que eu devo me orgulhar mais disso.

No entanto, apesar da admiração, as medalhas permanecem guardadas e continuam sendo acumuladas dentro da gaveta.

Na semana passada, quando eu fazia uma faxina nas minhas coisas, peguei novamente nas medalhas e algo diferente me impactou. Eu conseguia lembrar, com imagens, de forma muito clara, cada um daqueles momentos. Eu conseguia praticamente sentir o que eu tinha sentido quando eu cruzei a linha de chegada. São 52 medalhas, 52 momentos que foram internalizados dentro de mim de forma forte, perene. Achei isso incrível! Fiz um exercício em tentar lembrar de outros momentos em meu passado, momentos em que eu trabalhava, me relacionava e as memórias não pareciam tão vividas quanto aquelas trazidas pelas medalhas.

Eram como fotos, só que ao invés de retratar o momento, aquele metal, dependurado em um cordão, me fez entender que eu deveria sentir mais orgulho de tantos momentos como aquele.

O novo lugar das medalhas

Hoje as medalhas saíram da gaveta. Não estão na sala, para qualquer um ver, é fato, nem tão pouco foram postadas em minha rede social, pois até o momento deste post eu ainda continuo afastado das redes, mas agora as medalhas estão comigo, ao lado do meu rolo de treinamento de bike, na lavanderia aqui de casa. Aos poucos eu vou curando as feridas de um ego reprimido e contido e alocar estas medalhas, ao lado do lugar onde treino de tal forma que eu possa me lembrar que valeu a pena cada um daqueles momentos, seja um passo rumo a uma metanóia que sinto está vindo.

  • 1
  • 2
  • 3
  • Next

Postagens recentes

  • Reflexões sobre esta loucura que é viver
  • 42
  • Livre-arbítrio
  • Maluco Beleza
  • O peso da culpa

Arquivos

  • janeiro 2026
  • novembro 2025
  • setembro 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • julho 2024
  • maio 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • dezembro 2023
  • outubro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • abril 2023
  • março 2023

Categorias

  • Reflexões
© 2026 Paulo Gontijo | Powered by Minimalist Blog WordPress Theme