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Mês: agosto 2023

Estudar e ser feliz, no presente, sem esperança

Posted on 29/08/202329/08/2023 by Paulo Gontijo

Imagine se apresentando para alguém, seja numa mesa de bar, em uma entrevista de emprego ou mesmo para uma plateia que anseia te ouvir. A forma como você se apresenta, é fruto do que você decidiu fazer e não fruto do que você esperou fazer. Tomemos como exemplo, o meu caso: “Oi, eu sou o Paulo, tenho +40 anos, pai da Laura e Livia, casado com a Carla, trabalho com tecnologia, pratico esportes e dou aula, nas minhas horas vagas gosto de ver documentários e ler livros, a maior parte deles sobre filosofia”.

Ser pai, ser casado, trabalhar com tecnologia, praticar esportes, dar aula, usar o tempo livre para ver documentários e ler livros são atitudes do meu dia a dia, do meu passado, do meu presente e muito provavelmente de boa parte do meu futuro, mas é o que eu faço no presente, e novamente, não o que eu espero fazer, que permitiram narrar o Paulo da forma como o fiz.

É por isso que em muitos livros e palestras, ouvimos: é preciso dar o primeiro passo, seja na dieta, nos esportes, nos estudos, no trabalho ou em qualquer lugar em que a mudança rumo a algo que desejamos se faça presente. O primeiro passo é um ato, não é apenas uma vontade. Querer, desejar, é importante, mas se não ajo, a coisa toda não passou de um exercício mental.

Nada de esperança

“Viva no presente, pois o passado e o futuro são apenas uma ilusão”. Frase motivacional que vemos cada vez mais presente em para choques de caminhão, títulos de videos motivacionais que encontramos no Youtube e conselhos oriundos de amigos e terapeuras. Mas e aí?

Ontem eu meti a cara numa pizza com cerveja e possivelmente mês que vem, com o cenário economico, o risco de estar desempregado é real. Pois é! Triste. Isso não é uma angustia de um outro qualquer, é uma angustia minha, é real!

Daí posso escolher agora: comer coisa saudável e me exercitar para queimar a porcariada que comi ontem e buscar não comprar uma besteira qualquer no Mercado Livre ou na Amazon, pois este dinheiro agora vai pra poupança para enfrentar o possível desemprego…

Ou eu posso esperar, sabotando a mim mesmo (os entendidos chamam isso de dissonância cognitiva) e esperar que amanhã eu não tenha vontade de comer besteira novamente e que o cenário economico melhore, portanto, comprar mais um distrativo agora, não fará diferença.

Note como a palavra “Esperança” usualmente aclamada, apreciada. Note como a palavra Esperança que dá nome inclusive a programa de TV de causa nobre (Criança Esperança), uma palavra que dá nome até a um inseto verde, cujo as crianças aprendem desde cedo a não ter medo, pois se você ver uma Esperança, boa sorte lhe virá, pode ser o motivo de toda uma porcaria futura que a nossa vida pode se tornar.

UAU! É isso: sente, e espere! Tenha esperança. Amanhã de novo, semana que vem, dias melhores virão!

O tom pejorativo, é para reforçar que não tem escolha, a felicidade é feita em ato, em instante, pois se a gente esperar, a chance dela vier sejamos honestos, é minima.

Seja razoável com suas próprias perguntas

Também não busquemos ser os extremados que buscam refutar os argumentos, sem antes ser razoável com a própria pergunta, não entremos no campo da dissônancia cognitiva para buscar razão para atos que queremos recusar a fazer com vistas a dar voz as nossas crenças.

O que quero dizer, é que o argumento usado por muitos é: “Esta história de viver no presente, é para monjes budistas, que passam uma vida sem nunca experimentar uma cervejinha”.

Ao minimizar o comportamento do próximo, a gente maximiza os nossos para continuar não fazendo o que tem que ser feito, mas o ponto principal não é este. O ponto principal é que estamos sim no presente em parte do nosso tempo, cabe replicar e ter consciência nos momentos em que o passado e o futuro passam a nos incomodar sobremaneira.

Quando assistimos um filme que gostamos, nos conectamos com o presente, quando lemos um livro de forma atenta sobre um tema que gostamos, nos conectamos com o presente, quando fazemos sexo, nos conectamos com o presente. A diferença aqui é que estes atos, são muitas vezes feitos no automático, ou seja, você está imerso no presente mas sem se conscientizar a respeito, a partir do momento que entendemos que o presente é tão simples quanto isso, nos conectamos melhor com ele.

Muito se fala em viver no presente, mas é sobre isso que o passado e o futuro nos ensina: felicidade, é traduzir no presente, conhecimento do passado em prol de um futuro melhor. Ruim seria se eu quisesse agir sobre o passado e um futuro sobre o qual não temos controle.

Receita de bolo?

Digo a mim mesmo, que uma grande frustação que tenho é não conseguir transbordar o que acredito com relação a felicidade de forma rápida e simples. Eu mesmo venho me moldando há mais de 8 anos e sempre que paro de ler e estudar a respeito, me pego novamente em devaneio com o passado e com o futuro causando ansiedade e tristeza.

Queria muito, simplificar para mim mesmo e com isso ter uma mensagem embalada para o próximo sobre esta tal felicidade… mas vejo que esta é uma ilusão e quando penso nisso, lembro de uma entrevista que vi no Youtube, cujo o link não tenho mais:

Após 2h de palestra cativante sobre um tema relacionado a vida, o entrevistador me solta: “Podemos portanto entender que a felicidade é X?” e o entrevistado sabiamente responde: “Em 2h eu fiz o meu melhor, eu tentei sumarizar tudo que aprendi em décadas de estudo e sinto me frustrado por não conseguir passar por todos os temas e você quer sumarizar tudo em uma frase?”. Este é o ponto, não dá pra ser raso e pra não ser raso, só nos cabe o estudo.

Esta é a principal conclusão que chego quando penso em felicidade. Há certamente pessoas que nascem naturalmente felizes, que não precisam de estudos para entender o seu comportamento, seus pensamentos, o comportamento e o pensamento dos outros, mas eu não tive a graça de ser como elas, aliás estas pessoas são exceção. Me vem em mente apenas uma pessoa que de fato acredito nasceu com este dom. Para o resto de nós, nos cabe: estudar, estudar, estudar.

Deixa a vida te levar. Levo a vida eu!

Posted on 02/08/202329/08/2023 by Paulo Gontijo

A canção de Zeca Pagodinho diz: “Deixa a vida me levar, Vida leva eu”. Talvez se eu fosse um cantor, minha canção seria: “Deixa a vida me levar. Levo a vida eu”. O que quero dizer é que em alguns momentos é a vida que nos leva, em outros tantos somos nós quem decidimos como levar a vida!

A culpa é do trânsito?

Quando penso em controlar minhas atitudes, emoções e atuar para levar a vida, uma metáfora que me vem a mente é a do trânsito. Uma pequena história servirá de fundo para minha reflexão:

Saio de casa as 08h para uma reunião de trabalho que iniciará as 09h. Nesta reunião teremos um cliente importante, com possibilidade de fechar o contrato que irá mudar a história da nossa empresa. O trajeto pelo qual passo já conheço de longa data: 30 minutos, no máximo!

Entro no carro, ligo o Waze (GPS) e a estimativa de chegada é exatamente a usual: 08h30. Ligo o som do carro e parto já com ideias e expectativas altas para a tal reunião. 08h25 e já estou há poucos quilômetros do escritório quando noto uma paralisação total no trânsito.

08h50 e continuo no mesmo lugar. Ligo para o cliente informando o imprevisto e aviso que vou atrasar um pouco. 09h e nada mudou. Procuro uma saída marginal e me arrisco passando por cima de um canteiro. Tão logo o supero, enfio o meu carro na lateral de outro que vinha na direção oposta. Batida! Nada grave, felizmente.

Saio do carro puto da vida, xingando o motorista: “você não presta atenção? Não viu que eu estava atravessando? Não podia ter freado?”, eis que ouço, calmamente do outro motorista: “Peço desculpas, mas que tal encostarmos os carros para resolver a situação e não atrapalharmos mais pessoas que assim como nós só querem chegar a seus destinos?”. Encosto o carro, enquanto minha raiva acumulada pelo atraso e pela batida parece uma bomba prestes a explodir.

Respiro fundo, ligo para o cliente me desculpando e cancelando a reunião, com promessas de remarcação e agora, com um pouco mais de calma, resolvo a situação, onde o errado, era sim eu.

Inexoravelmente imutável 

Se eu tivesse saído mais cedo eu não teria enfrentado o trânsito e chegado no horário. Se eu não tivesse passado por cima do canteiro eu não teria batido o carro!

O grande ponto é que o “se” não existe na história. Eu não consigo alterar o passado e acredito que esta seja um dos principais motivos de sofrimento. É aqui que o “deixa a vida me levar” faz mais sentido.

O passado, serve como aprendizado para o presente e o futuro, mas ele é imutável, o passado é duramente e factualmente: imutável! Aceitar isso é um grande passo e motivo de aprendizado constante.

É mais fácil falar do que praticar e a forma como busco atuar para continuar aprendendo é lendo, constantemente sobre o assunto. Adquiri um hábito de ler 2 livros. Um deles, sobre um campo de conhecimento qualquer (computação, liderança, fisiologia do esporte, etc) e o outro, é sempre um livro que me aquieta a mente, o que usualmente significa livros sobre meditação, estoicismo, budismo e similares.

Faço isso, pois me parece que controlar a forma como penso sobre passado, presente e futuro é como no esporte, na alimentação e sobre controlar gastos e poupar dinheiro: é necessário ter rotina, disciplina, reflexão e atitude diária. Quando me vejo por um período sem ler a respeito, minha mente começa a ruminar mais, a antecipar o futuro com mais intensidade.

O mesmo raciocínio, entendo, pode ser aplicado em relação ao futuro. Não consigo controlar se irá chover nas férias durante o passeio na praia, portanto, se, chegado o dia, chover, pensarei o que fazer. É triste? É chato? Sim… mas é o que é! Ou eu procuro algo para fazer no lugar de ir a praia e aceito a realidade, ou me entedio e não faço nada! Certamente, quando for lembrar desta viagem no futuro as memórias não serão tão boas quanto foram as das férias quando o sol se fez presente, mas… é o que é! Nem tudo é felicidade, nem tudo é como gostaríamos que fosse. É o famoso: aceita que dói menos.

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