paulo_gontijo_logo
Menu
  • HOME
  • Sobre mim
  • IA
  • Contato
Menu

Reflexões sobre ser humano e ser alucinado na era da inteligência artificial

Posted on 07/12/202312/12/2023 by Paulo Gontijo

Uma queda de braço ou uma união de forças?

Muito se fala sobre a eliminação de empregos e as ameaças que a Inteligência Artificial (IA) já está impondo a humanidade, também muito se fala sobre as oportunidades que se abrem com esta tecnologia maravilhosa. Quem está certo?

Não há certo ou errado, a magia reside em explorar o que há de bom e buscar remover o que há de ruim. É um desafio que se impõe a nossa sociedade, que precisa continuar sendo discutido no âmbito acadêmico, social e político. Assim como tantos outros desafios de cunho quase dualista, como a proteção do meio ambiente, economia de livre mercado e a regulamentação de itens relacionados a saúde física e mental.

Reflexões sobre a importância do caminho do meio

Sou um entusiasta do caminho do meio na esfera filosófica da vida e os argumentos a seguir me levam a crer que os extremos, são usualmente a pior escolha.

Na esfera ambiental, temos como exemplo, a escalada da poluição e da exploração das reservas naturais ancorado no discurso de progresso, inovação e produção de empregos independente dos impactos que isso possa levar. Hoje ponderamos melhor se o caminho deve ser de fato este, afinal, estamos sentindo na pele o calor e a fúria do tempo em várias regiões do mundo. E novamente, o caminho não é o 0 ou 1, não é o preto ou branco. A magia ocorre entre estes dois polos, em produzir e inovar sem poluir, com tecnologias e materiais novos que nos permitam continuar fazendo progresso, sem afetar, tanto o meio ambiente.

Na esfera econômica, nos parece que a única coisa certa a fazer é deixar as coisas acontecerem por si só. Para muitos, o governo e os agentes da sociedade, não deveriam em hipótese alguma se quer emitir opinião a respeito, no entanto, quando o mercado, ensandecido por inovações do capital, se vê colapsado, como o que vimos na crise do mercado imobiliário americano em 2008, a única salvação, parece estar no que sempre foi evitado: o governo. Afinal, se o governo não agir, a nossa aposentadoria, os nossos salários e o conforto de uma vida planejada, esperando para ser desfrutada, simplesmente seria transformado em pó.

Na esfera da saúde do corpo, nós enquanto sociedade, inovamos e criamos o açúcar e a farinha que nos permitiram produzir alimentos em larga escala, afastando previsões pessimistas de que a sociedade, em seu ritmo de crescimento, não teria alimento suficiente para todos. Afastadas as questões de distribuição de renda; a produção de alimentos hoje em dia, não é mais um problema, seja ela para alimentos industrializados ou in natura. Tudo isso, pois nós, humanos, temos uma capacidade única de nos reinventarmos, de inovar e de desenhar um futuro melhor quando o que é vislumbrado é pessimista. Entretando estamos nascendo e vivendo mais obesos e menos saudáveis em função das inovações que criamos. Devemos regulamentar assim como fizemos com o cigarro? Fica a reflexão.

Por fim, na esfera da saúde mental, inovamos magnificamente com smartphones, telecomunicações e aplicativos que nos permitem acesso a redes sociais. É incrível, é fascinante, mas novamente, o caminho reside, na minha visão, no meio. Experimente deixar uma criança já com seu 1 ano de idade, utilizar da forma como quiser um smartphone e não interfira no uso, deixe-a apenas usufruir. Os pais e mães que aqui estão lendo este artigo, ou mesmo, aqueles que observam o mundo a sua volta, notarão que as crianças, se não controladas, passarão horas exclusivamente diante do aparato tecnológico e esquecerão completamente de brincar, interagir, socializar. Remeto a criança, para demonstrar que se a alienação já ocorre logo nos primeiros anos de vida, os demais serão ainda mais influenciados por um mundo, que é trago através de uma tela e cujo o conteúdo não é feito majoritariamente para educar e levar a reflexão, é feito, em sua maioria, para levar ao uso continuo daquela mesma tela. Evitarei dizer a respeito dos impactos sobre nós, adultos, afinal, como já vimos na esfera ambiental e econômica, nós não precisamos de regulamentação nem controle nenhum, não é verdade? Sabemos controlar o uso, acessar conteúdo majoritamente educacional e raramente, apenas com pitadas homeopáticas, assistimos um conteúdo bobinho. Afinal o peso da vida nos é um grande fardo, portanto, que mal faz uma dose de dopamina oriunda de um rolar de dedos continuo na tela do celular, não é mesmo? Aqui caímos novamente, na necessidade de transitar do excesso a ponderação.

Pois bem, passado as reflexões sobre o melhor uso de cada inovação tecnológica, que a meu ver deveriam sempre incentivar o caminho do meio, passemos a mais esta fantástica inovação tecnológica, a inteligência artificial. 

O caminho do meio da inteligência artificial

Para os que não me conhecem, nasci em 1981 e somente em 1994 tive acesso ao meu primeiro computado. A partir de então nunca mais o larguei. Ele me acompanhou na faculdade, escolha da qual me orgulho: cientista da computação e me acompanha até hoje na profissão que exerço. Sou o que chamam por aí de dev, ou desenvolvedor de software. Já há alguns anos me apaixonei por liderar e a minhas prioridades refletem esta escolha, mas o magnetismo da tecnologia, não me permite afastar do poder que sinto nas mãos em construir algo apenas sentado na confortável cadeira que aqui me abriga. Ressalto isso, pois as opiniões que vocês aqui leem são oriundas de um nerd e não de um filosofo ou sociólogo e que ama sim o capitalismo e todas as benesses que ele proporciona.

Como era de se esperar, vejo no caminho do meio, ou na combinação entre humano e IA o que melhor pode nos acontecer, digo sempre por mim, afinal este é um artigo opinativo e não informativo.

O caminho do meio a meu ver reside em utilizar o que é o melhor do ser humano com o que há de melhor da AI. Nós, humanos, temos a real capacidade de inovar e aplicar conhecimentos adquiridos em tópicos completamente diferentes, assim, eu aplico ensinamentos que tenho ao praticar esportes de endurance, na minha rotina de trabalho. Aplico os ensinamentos que tenho nos livros de filosofia no relacionamento com minha família e amigos, aplico conhecimentos de mindfullness ao degustar um bom vinho. Esta é a minha vida, é meu cérebro trabalhando em prol daquilo que ele aprendeu em uma área e aplicando-a em outra completamente distinta.

Como em um belo livro que li, chamado Rápido e Devagar, reconheço que o meu cérebro não é bom com estatística e trabalha muitas vezes de forma automatizada, assim, eu tendo a ser influenciado por casos ou situações que acontecem com um grupo que não representa o todo. Quando digo que a sociedade está doente por causa das redes sociais, isso é uma inverdade do ponto de vista estatístico, afinal a sociedade é composta de 100% dos humanos, e há apenas um % destes que não usam redes sociais e um outro percentual ainda menor que está doente por causa destas. Também tenho reações rápidas e impensadas, assim, muitas vezes me pego perguntando se tranquei a porta antes de sair de casa, pois o que acontece aqui, ao contrário do que se possa imaginar, não foi um esquecimento, foi um comportamento não racional, automatizado e que, portanto, não capturou a atenção do meu cérebro.

Já a IA, e aqui estou me referindo majoritariamente a um pedaço específico, conhecido como IA generativa baseado em grandes modelos de linguagem (LLM), é completamente criada de forma estatística. Tudo o que se vê ao produzir um texto, no ChatGPT, é a formação perfeita e estatisticamente correta do que mais provavelmente possa ser escrito, colocando uma letra após a outra, uma palavra após a outra. Este é o motivo pelo qual, as alucinações ocorrem, afinal a IA está processando a produção de texto e não a narração de fatos. Assim, quando estou desenvolvendo um código para um aplicativo qualquer e recebo sugestões de códigos já prontos, que me otimizam e muito o trabalho, estou me beneficiando enormemente de uma inteligência com grandes habilidades em estatística que me sugere o que é mais provável que eu vá escrever nos próximos minutos e isso é simplesmente fantástico!

Quando tenho dúvidas sobre como conectar conceitos distintos e aplicabilidade prática é o ChatGPT quem me salva e não mais a busca do Google. Tudo isso pois ele combina dois ou mais conteúdos estatisticamente relevantes, para produzir uma narrativa (também estatística) que cai como luva para a necessidade do momento.

As aplicações são inúmeras e estamos apenas no início da exploração da sua potencialidade, mas como tudo tem um caminho do meio, eu só entendo, até o momento, que o que eu mais gostaria em relação a IA é que eu fosse protegido de não me permitir alucinar junto com ela e que portanto eu não vire um humano que deixou de gerar sua própria criatividade baseado em coisas que vejo, sinto e aprendo e que não são estatística. Deixe-me ilustrar o que penso através de exemplos.

Assim como quero ser informado que um alimento contém açúcar e certamente isso é condição de vida ou morte para diabéticos, gostaria de saber se as imagens que vejo na TV são reais ou criadas por IA, gostaria de saber se o repórter que narra os fatos é real ou não, gostaria de saber se o meu professor, na escola de negócios, que me ensina sobre como ganhar mais dinheiro com IA é real e está contando casos reais, ou se foi criado por uma IA que está alucinando sobre casos que não existem.

Gostaria que quando eu lesse o review de um produto e ele for classificado como 5 estrelas, que este conteúdo seja uma recomendação humana. Gostaria que ao ir ao show do meu cantor preferido e que quem estivesse no palco fosse ele e não o seu holograma, e que por fim, se eu alucinado pelas maravilhosas criações que só nós humanos conseguimos criar, como as Lives NPCs (sendo sarcástico, para você perceber que este conteúdo não foi escrito por IA) e resolvesse contribuir com dinheiro para alguém do outro lado da tela, que este alguém fosse um humano e não uma IA.

Em muitos casos, não há necessidade de saber se o que foi produzido é humano ou criado por inteligência artificial. Eu não preciso saber se o pedaço de código que criei foi feito por IA ou por humano, eu só preciso que funcione de acordo com as regras que eu, humano, criei, e que, através do meu senso crítico eu possa validar e testar o que está funcionando e caso queira, ter acesso ao que lá foi escrito. Eu não preciso saber se o manual de uso da minha TV foi criado por humano ou IA, também não me importo em não saber se uma análise de dados que levarão a tomada de decisão foi feita por IA ou humano, desde que eu tenha discernimento crítico e acesso a cadeia lógica que levou aquela análise.

Gostaria muito de ser mais objetivo e claro em meu posicionamento, mas a fronteira entre o que eu preciso saber e o que não preciso saber é quase liquida e preciso refletir mais a respeito, a única convicção que tenho é que eu não quero me alucinar e perder a capacidade de discernir e poder continuar alimentando o meu lado criativo, oriundo de conteúdos hora criados por IA, hora criados por humanos, desde que eu tenha o direito de escolher entre eles.

Filosofia de “buteco”, como costumo dizer. Fica a dúvida: teria eu, este “direito” ou “necessidade” de saber se o que vejo, ouço ou assisto é criado por humano, assim como tenho o “direito” de saber se o que como tem açucar? Ou é melhor deixar pra lá, afinal, tanto faz se é humano ou criado por AI?

Só me parece estranho, pensar que tanto faz eu saber se o que eu compro para presentear é uma pedra preciosa ou uma réplica, ou se o vinho raro que comprei na verdade foi envazado com uma cópia.

Que fique a reflexão 🙂

Sobre a beleza

Posted on 20/10/202320/10/2023 by Paulo Gontijo

A beleza é externa? Acho que não, ela reside em mim, ou como dizem: “a beleza está nos olhos de quem vê”.

Me pego olhando, de vez em quando para o horizonte. Trabalho em home office e quando faço uma pausa, pego um café e vou para a janela observar o mundo sendo vivido lá fora. É o mesmo de sempre, usualmente o que muda é uma obra civil que evoluiu ou mais rotineiramente a cor do céu e a presença de nuvens, mas o que muda não mesmo não é lá fora, a mudança ocorre dentro de mim.

Com uma frequência menor do que gostaria, talvez uma em cada 10 vezes, a minha observação passa a ser uma contemplação, passo a olhar a mesma paisagem de ontem e antes de ontem com um olhar de encantamento e aquilo me toca o coração e me gera uma alegria que não sei precisar de onde vem.

É uma paz absorta em silêncio embora o barulho dos carros esteja lá, presente o tempo todo.

Alegria gratuita, sem PIX nem cartão de crédito. Fugaz e rara.

Rubem Alves dizia que “A beleza é a face visível de Deus” e continua “Quem experimenta a beleza está em comunhão com o sagrado”.

Não sou católico nem ateu, me considero agnóstico (assunto para um outro post), mas se Deus existe ele era também como dizia Rubem Alves, um esteta! 

Só que um esteta diferente, afinal a mesma paisagem que colore a minha janela ontem é quase a mesma de hoje e a beleza não é lá, é cá, dentro de mim! É como se o que está externo não fosse uma criação divina, mas o que está interno sim!

Delícia ser assim!

Estudar e ser feliz, no presente, sem esperança

Posted on 29/08/202329/08/2023 by Paulo Gontijo

Imagine se apresentando para alguém, seja numa mesa de bar, em uma entrevista de emprego ou mesmo para uma plateia que anseia te ouvir. A forma como você se apresenta, é fruto do que você decidiu fazer e não fruto do que você esperou fazer. Tomemos como exemplo, o meu caso: “Oi, eu sou o Paulo, tenho +40 anos, pai da Laura e Livia, casado com a Carla, trabalho com tecnologia, pratico esportes e dou aula, nas minhas horas vagas gosto de ver documentários e ler livros, a maior parte deles sobre filosofia”.

Ser pai, ser casado, trabalhar com tecnologia, praticar esportes, dar aula, usar o tempo livre para ver documentários e ler livros são atitudes do meu dia a dia, do meu passado, do meu presente e muito provavelmente de boa parte do meu futuro, mas é o que eu faço no presente, e novamente, não o que eu espero fazer, que permitiram narrar o Paulo da forma como o fiz.

É por isso que em muitos livros e palestras, ouvimos: é preciso dar o primeiro passo, seja na dieta, nos esportes, nos estudos, no trabalho ou em qualquer lugar em que a mudança rumo a algo que desejamos se faça presente. O primeiro passo é um ato, não é apenas uma vontade. Querer, desejar, é importante, mas se não ajo, a coisa toda não passou de um exercício mental.

Nada de esperança

“Viva no presente, pois o passado e o futuro são apenas uma ilusão”. Frase motivacional que vemos cada vez mais presente em para choques de caminhão, títulos de videos motivacionais que encontramos no Youtube e conselhos oriundos de amigos e terapeuras. Mas e aí?

Ontem eu meti a cara numa pizza com cerveja e possivelmente mês que vem, com o cenário economico, o risco de estar desempregado é real. Pois é! Triste. Isso não é uma angustia de um outro qualquer, é uma angustia minha, é real!

Daí posso escolher agora: comer coisa saudável e me exercitar para queimar a porcariada que comi ontem e buscar não comprar uma besteira qualquer no Mercado Livre ou na Amazon, pois este dinheiro agora vai pra poupança para enfrentar o possível desemprego…

Ou eu posso esperar, sabotando a mim mesmo (os entendidos chamam isso de dissonância cognitiva) e esperar que amanhã eu não tenha vontade de comer besteira novamente e que o cenário economico melhore, portanto, comprar mais um distrativo agora, não fará diferença.

Note como a palavra “Esperança” usualmente aclamada, apreciada. Note como a palavra Esperança que dá nome inclusive a programa de TV de causa nobre (Criança Esperança), uma palavra que dá nome até a um inseto verde, cujo as crianças aprendem desde cedo a não ter medo, pois se você ver uma Esperança, boa sorte lhe virá, pode ser o motivo de toda uma porcaria futura que a nossa vida pode se tornar.

UAU! É isso: sente, e espere! Tenha esperança. Amanhã de novo, semana que vem, dias melhores virão!

O tom pejorativo, é para reforçar que não tem escolha, a felicidade é feita em ato, em instante, pois se a gente esperar, a chance dela vier sejamos honestos, é minima.

Seja razoável com suas próprias perguntas

Também não busquemos ser os extremados que buscam refutar os argumentos, sem antes ser razoável com a própria pergunta, não entremos no campo da dissônancia cognitiva para buscar razão para atos que queremos recusar a fazer com vistas a dar voz as nossas crenças.

O que quero dizer, é que o argumento usado por muitos é: “Esta história de viver no presente, é para monjes budistas, que passam uma vida sem nunca experimentar uma cervejinha”.

Ao minimizar o comportamento do próximo, a gente maximiza os nossos para continuar não fazendo o que tem que ser feito, mas o ponto principal não é este. O ponto principal é que estamos sim no presente em parte do nosso tempo, cabe replicar e ter consciência nos momentos em que o passado e o futuro passam a nos incomodar sobremaneira.

Quando assistimos um filme que gostamos, nos conectamos com o presente, quando lemos um livro de forma atenta sobre um tema que gostamos, nos conectamos com o presente, quando fazemos sexo, nos conectamos com o presente. A diferença aqui é que estes atos, são muitas vezes feitos no automático, ou seja, você está imerso no presente mas sem se conscientizar a respeito, a partir do momento que entendemos que o presente é tão simples quanto isso, nos conectamos melhor com ele.

Muito se fala em viver no presente, mas é sobre isso que o passado e o futuro nos ensina: felicidade, é traduzir no presente, conhecimento do passado em prol de um futuro melhor. Ruim seria se eu quisesse agir sobre o passado e um futuro sobre o qual não temos controle.

Receita de bolo?

Digo a mim mesmo, que uma grande frustação que tenho é não conseguir transbordar o que acredito com relação a felicidade de forma rápida e simples. Eu mesmo venho me moldando há mais de 8 anos e sempre que paro de ler e estudar a respeito, me pego novamente em devaneio com o passado e com o futuro causando ansiedade e tristeza.

Queria muito, simplificar para mim mesmo e com isso ter uma mensagem embalada para o próximo sobre esta tal felicidade… mas vejo que esta é uma ilusão e quando penso nisso, lembro de uma entrevista que vi no Youtube, cujo o link não tenho mais:

Após 2h de palestra cativante sobre um tema relacionado a vida, o entrevistador me solta: “Podemos portanto entender que a felicidade é X?” e o entrevistado sabiamente responde: “Em 2h eu fiz o meu melhor, eu tentei sumarizar tudo que aprendi em décadas de estudo e sinto me frustrado por não conseguir passar por todos os temas e você quer sumarizar tudo em uma frase?”. Este é o ponto, não dá pra ser raso e pra não ser raso, só nos cabe o estudo.

Esta é a principal conclusão que chego quando penso em felicidade. Há certamente pessoas que nascem naturalmente felizes, que não precisam de estudos para entender o seu comportamento, seus pensamentos, o comportamento e o pensamento dos outros, mas eu não tive a graça de ser como elas, aliás estas pessoas são exceção. Me vem em mente apenas uma pessoa que de fato acredito nasceu com este dom. Para o resto de nós, nos cabe: estudar, estudar, estudar.

Deixa a vida te levar. Levo a vida eu!

Posted on 02/08/202329/08/2023 by Paulo Gontijo

A canção de Zeca Pagodinho diz: “Deixa a vida me levar, Vida leva eu”. Talvez se eu fosse um cantor, minha canção seria: “Deixa a vida me levar. Levo a vida eu”. O que quero dizer é que em alguns momentos é a vida que nos leva, em outros tantos somos nós quem decidimos como levar a vida!

A culpa é do trânsito?

Quando penso em controlar minhas atitudes, emoções e atuar para levar a vida, uma metáfora que me vem a mente é a do trânsito. Uma pequena história servirá de fundo para minha reflexão:

Saio de casa as 08h para uma reunião de trabalho que iniciará as 09h. Nesta reunião teremos um cliente importante, com possibilidade de fechar o contrato que irá mudar a história da nossa empresa. O trajeto pelo qual passo já conheço de longa data: 30 minutos, no máximo!

Entro no carro, ligo o Waze (GPS) e a estimativa de chegada é exatamente a usual: 08h30. Ligo o som do carro e parto já com ideias e expectativas altas para a tal reunião. 08h25 e já estou há poucos quilômetros do escritório quando noto uma paralisação total no trânsito.

08h50 e continuo no mesmo lugar. Ligo para o cliente informando o imprevisto e aviso que vou atrasar um pouco. 09h e nada mudou. Procuro uma saída marginal e me arrisco passando por cima de um canteiro. Tão logo o supero, enfio o meu carro na lateral de outro que vinha na direção oposta. Batida! Nada grave, felizmente.

Saio do carro puto da vida, xingando o motorista: “você não presta atenção? Não viu que eu estava atravessando? Não podia ter freado?”, eis que ouço, calmamente do outro motorista: “Peço desculpas, mas que tal encostarmos os carros para resolver a situação e não atrapalharmos mais pessoas que assim como nós só querem chegar a seus destinos?”. Encosto o carro, enquanto minha raiva acumulada pelo atraso e pela batida parece uma bomba prestes a explodir.

Respiro fundo, ligo para o cliente me desculpando e cancelando a reunião, com promessas de remarcação e agora, com um pouco mais de calma, resolvo a situação, onde o errado, era sim eu.

Inexoravelmente imutável 

Se eu tivesse saído mais cedo eu não teria enfrentado o trânsito e chegado no horário. Se eu não tivesse passado por cima do canteiro eu não teria batido o carro!

O grande ponto é que o “se” não existe na história. Eu não consigo alterar o passado e acredito que esta seja um dos principais motivos de sofrimento. É aqui que o “deixa a vida me levar” faz mais sentido.

O passado, serve como aprendizado para o presente e o futuro, mas ele é imutável, o passado é duramente e factualmente: imutável! Aceitar isso é um grande passo e motivo de aprendizado constante.

É mais fácil falar do que praticar e a forma como busco atuar para continuar aprendendo é lendo, constantemente sobre o assunto. Adquiri um hábito de ler 2 livros. Um deles, sobre um campo de conhecimento qualquer (computação, liderança, fisiologia do esporte, etc) e o outro, é sempre um livro que me aquieta a mente, o que usualmente significa livros sobre meditação, estoicismo, budismo e similares.

Faço isso, pois me parece que controlar a forma como penso sobre passado, presente e futuro é como no esporte, na alimentação e sobre controlar gastos e poupar dinheiro: é necessário ter rotina, disciplina, reflexão e atitude diária. Quando me vejo por um período sem ler a respeito, minha mente começa a ruminar mais, a antecipar o futuro com mais intensidade.

O mesmo raciocínio, entendo, pode ser aplicado em relação ao futuro. Não consigo controlar se irá chover nas férias durante o passeio na praia, portanto, se, chegado o dia, chover, pensarei o que fazer. É triste? É chato? Sim… mas é o que é! Ou eu procuro algo para fazer no lugar de ir a praia e aceito a realidade, ou me entedio e não faço nada! Certamente, quando for lembrar desta viagem no futuro as memórias não serão tão boas quanto foram as das férias quando o sol se fez presente, mas… é o que é! Nem tudo é felicidade, nem tudo é como gostaríamos que fosse. É o famoso: aceita que dói menos.

Felicidade é progresso: Pequenas vitórias que importam

Posted on 19/07/202318/07/2023 by Paulo Gontijo

                Pesquisadores da conduziram um estudo chamado o “Poder das Pequenas Vitórias”, no qual entrevistaram centenas de pessoas no ambiente de trabalho. As perguntas envolviam níveis de humor, motivação e atividades executadas a cada dia. Após vários meses de entrevistas recorrentes, o principal achado foi: Pessoas felizes realizam pequenos progressos dia após dia.

Quando tive conhecimento deste estudo há alguns anos, percebi que teve um profundo impacto em mim. Passei a prestar mais atenção sobre o que tinha sido um dia feliz e um dia triste e a conclusão que cheguei foi exatamente a mesma: Eu terminava um dia mais feliz, quando tinha feito um pequeno progresso.

Exemplos de Progresso no Trabalho

                No momento que escrevo este artigo, tenho trabalhado com o desenvolvimento de software para clientes da indústria de marketing digital e fazer progresso significa, para mim, uma série de coisas, dentre elas:

  • Me engajar em discussões, com pessoas interessadas e com vontade de fazer acontecer;
  • Construir software que resolva um problema real do cliente;
  • Escrever um documento onde eu torne mais claro o entendimento sobre algum problema ou desafio a ser superado;
  • Cursos ou leituras onde tive a oportunidade de aprender mais sobre um tema pelo qual me interesso.

Exemplos de Falta de Progresso no Trabalho

Na via oposta, um dia não feliz para mim é aquele onde:

  • Pulei de reunião em reunião o dia todo, onde a discussão era rasa ou não buscava resolver um problema de forma interessada;
  • Participei de reuniões ou preenchi formulários ou sistemas ligados a questões puramente burocráticas;
  • Respondi email o dia todo;
  • Quis terminar algo, mas urgências emergiram que me evitaram de dedicar o tempo que eu queria, onde eu queria;
  • Eu procrastinei! Sim, algumas vezes, tenho interesse real em iniciar, dar prosseguimento ou concluir alguma atividade, mas isso demandaria um investimento de tempo substancial. Ao decidir procrastinar o início desta atividade e colocar outra com menos relevância em seu lugar eu me percebo mais triste.

Progresso e Felicidade além  do trabalho

Passei a perceber que este grau de felicidade, transbordava o ambiente de trabalho e ia para esferas como levantar cedo, aprender algo novo, fazer exercícios, me organizar e me alimentar bem.

Sou bastante engajado com esportes, atualmente pratico triatlo e crossfit e a ideia de semana após semana, conseguir correr, nadar ou pedalar mais rápido e/ou por mais tempo, bem como conseguir levantar mais peso ou fazer movimentos mais perfeitos no crossfit são o principal motivador para continuar fazendo esportes, dia após dia.

Notei que para obter progresso no esporte, eu precisava me levantar cedo, pois aprendi que o meu melhor desempenho é obtido nas primeiras horas do dia, quando corpo e mente ainda estão descansados. Já, na alimentação, aprendi que se me alimento mal, com frituras e bebida alcoólica, o meu intestino e sono são afetados. Com isso não consigo descansar bem o que impacta diretamente no esporte e no trabalho.

Aprender algo novo é também uma realização de progresso e sinto que aprendo algo, lendo, assistindo cursos e principalmente resumindo ou preparando um texto ou uma aula sobre uma temática específica. Na contramão, sinto que o meu tempo é quase recreativo e até mesmo frustrante quando fico nas redes sociais ou assisto TV, o sentimento de progresso nestas situações é próximo de 0.

Um dia sem progresso é sinal de tristeza?

                A resposta direta é: não! Domingo, por exemplo, é um dia que não acordo cedo, me alimento mal, faço pouco ou nenhum esporte e ainda assim considero um dos dias mais felizes da semana. O motivo? Ele é uma exceção e, portanto, a minha transgressão a “regra” semanal. Naturalmente, se todos os dias fossem iguais a Domingo, o meu senso de progresso que neste contexto está atrelado a esporte e trabalho não existiria e portanto, provavelmente eu seria mais triste. Seria? Quando penso nas férias não é isso que parece, mas ao mesmo tempo, quando penso que minha vida seria só férias, também não me alegro.

Progresso é um ciclo virtuoso

O progresso se apresenta na esfera profissional e pessoal como uma sucessão de atividades significativas durante o dia, que se encadeiam durante a semana e meses. Entendo também que um dia sem progresso, no meu caso, o Domingo, funciona como um lembrete de que dias assim são também importantes, desde que não sejam a maioria! 😊

Por que escrever sobre felicidade?

Posted on 13/07/202313/07/2023 by Paulo Gontijo

Neste link você pode encontrar o primeiro artigo que escrevi sobre felicidade.

Ao embarcar nesta jornada para escrever sobre felicidade, recebi alguns feedbacks sobre o primeiro artigo e o comentário mais comum foi: Por que escrever sobre felicidade? Você não deveria somente vivênciá-la? Ficar pensando sobre felicidade não é que nem ficar pensando sobre quais nutrientes você está ingerindo, calculando calorias, enquanto desfruta de uma excelente refeição? Você precisa relaxar e deixar fluir, deixa a vida te levar…

Pois é ! Discordo

Obviamente não penso o tempo todo em felicidade e certamente você não vai encontrar quem o faça, isso é uma ilusão. Ilusão análoga a acreditar que é possível encontrar nos monges budistas uma capacidade única de estar presente no momento de forma medidativa o tempo inteiro, 24 horas por dias. Dois excelentes livros, um escrito pela monja Tenzin Palmo que ficou 12 anos vivendo em retiro numa caverna no Himalaia e outro escrito pelo mestre Daisetz Teitaro Suzuki desmistificam parte desta ilusão que parece estar associada a notícia da proclamação do monge Matthieu Ricard como a pessoa mais feliz do mundo.

Filosofar sobre felicidade, assim como qualquer outro tema relevante, é se questionar, refletir, pesquisar, criticar, discordar e concordar. É trabalhar a mente, através da prática e da nutrição de conteúdos (livros, artigos, palestras) que te levem a pensar sobre o tema. É muito diferente de deixar a vida te levar… é muito diferente de scrollar a tela, como em uma rede social…

Ao ler e pesquisar sobre este tema que tanto me interessa, aprendi por exemplo, que a felicidade está majoritariamente dentro da gente e na forma como encaramos a realidade que nos é imposta diariamente, aprendi que o progresso, seja no esporte, no trabalho ou na execução de uma atividade, como esta que faço agora ao escrever, são partes integrantes da felicidade e que ao contrário de deixar a vida me levar, é preciso se empenhar, é preciso agir, é preciso escolher ser feliz. É preciso como bem disseram um psiquiatra um marketeiro, aguentar ser feliz.

Percebi que o tema é vasto. Como vimos no primeiro artigo, já está presente há milhares de ano e ainda é um tema amplamente discutido

Pensando nisso, fui reunindo uma série de temáticas, que gostaria de refletir a respeito e que se conectam com este conceito de felicidade. O resultado, certamente mutável, é o mapa mental abaixo. Nos próximos posts, falarei sobre cada um deles em mais profundidade!

Sobre a vida e a felicidade

Posted on 06/07/202306/07/2023 by Paulo Gontijo

Comecei a escrever este texto, com o objetivo de definir felicidade. Minha ideia inicial era juntar o meu conhecimento acumulado com a leitura de livros, palestras e cursos que participei com o objetivo de traduzir em palavras, de forma estruturada, o que eu penso sobre felicidade. Depois de trabalhar algumas semanas e produzir algumas páginas, me dei conta que o tempo todo eu referenciava os conceitos trazido por Platão, Aristóteles, Nietzsche e tantos outros filósofos, mas pouco falava o que o eu, Paulo, pensava e vivenciava. É claro que somos a junção do que herdamos dos nossos pais, dos caminhos que escolhemos, do ambiente em que vivemos, das pessoas com que nos relacionamos, e de todo o conhecimento que adquirimos, portanto, o texto escrito sempre carrega estas variáveis próprias de cada um de nós.

Falar sobre felicidade, mencionando filósofos traz credibilidade ao texto e no fundo o que eu busco ao escrever a respeito é solidificar este conhecimento que fui acumulando, afinal escrever e dar aula, são a meu ver a melhor forma de fazer isso. É bem provável que eu saia, após a escrita deste texto com mais clareza sobre este tópico que tanto me fascina.

O ponto é que durante a escrita eu fui indo para tópicos cujo a literatura clássica não menciona com tanta intensidade como saúde, esporte e tecnologia. Nestes parágrafos via que as referências bibliográficas ficavam mais escassas e me peguei refletindo: Paulo, o que você escreve é mais do que a felicidade, você escreve sobre a vida, aquela que faz sentido, só para você. Foi então que decidi seguir outros rumos e fazer uma reflexão pessoal sobre o que entendo ser uma vida boa. Para você, que lê? Talvez! Mas certamente para mim.

E aí, você se pergunta: mas o que me importa saber o que o Paulo pensa sobre vida e felicidade? Pois é… nada! Minha recomendação, caso você queira se aprofundar na temática, é beber da fonte, ou seja, ler os filósofos, estudá-los. No meu caso, o professor Clovis de Barros foi o grande facilitador e explicador que criou esta ponte, quando beber diretamente da água pareceu me difícil demais, dado a complexidade dos pensamentos destes (experimente ler Kant e entenderá… rssss).

Pois bem, caro leitor (e aqui me incluo). O que você eu e você vamos ler em breve (pois começo hoje esta nova jornada), é um texto que fiz pensando em solidificar os conceitos do que considero uma vida boa e feliz, e novamente, é apenas a junção do que aprendi e vivenciei. Afinal o Paulo é só mais um na fila do pão, fila esta que assim como eu, se mistura a outras mais de 7 bilhões de pessoas no planeta Terra, que se mistura a outros mais bilhões de planetas que orbitam outras bilhões de estrelas. Portanto, ao tomar a decisão de ler o que virá daqui em diante, lembre-se do quão insignificante o autor é.

E pra começar, aproveito a introdução do texto, quase acadêmico que comecei a escrever, e ao longo das próximas semanas vou adicionando mais a respeito.

O que é felicidade?

O dicionário define a felicidade como um estado de bem-estar e utiliza como sinônimo a palavra alegria. Uma boa definição é a de Clovis de Barros que cita que felicidade é aquele momento que você não quer que acabe. Parece uma definição simples e poderíamos encerrar esta introdução por aqui, mas ao lembrar que o que nos trouxe felicidade no momento presente não necessariamente vai continuar trazendo felicidade no momento futuro, percebemos que precisamos aprofundar mais.

Clovis utiliza maravilhosamente uma história sobre pamonha, neste popular vídeo, para ilustrar o fato que a primeira, segunda e terceira pamonha não te causam a mesma felicidade. Comer é um bom exemplo de algo que nos trás felicidade, mas basta pensarmos que continuar comendo exageradamente nos leva a tristeza para entender que a felicidade dura enquanto aquele momento ainda é prazeroso e não necessariamente, ao repetirmos o mesmo prato que nos alegrou teremos este mesmo instante de prazer.

Poderíamos ficar com esta simples definição, mas me vem em mente um outro exemplo: Você colocou como meta escalar o Everest, durante dias você sofreu, em alguns momentos (raros) você aproveitou a jornada, mas a felicidade mesmo sempre esteve muito clara para você: estava em alcançar o cume. Portanto, poderíamos concluir que a felicidade não estava na trajetória, pois se desejo ou espero algo que ainda não tenho (a pamonha, o nosso nobre exemplo, o pico do Everest), só poderia alcançar a felicidade quando o objeto de desejo fosse alcançado. Se escalar o Everest leva dias e permanecer no cume dura poucos minutos (se não você morre congelado lá em cima), poderíamos concluir que passamos mais tempo infelizes do que propriamente felizes?

Ó céus, ó vida! Felicidade parecia ser uma definição tão simples, não é verdade? Vamos com calma, aos poucos vamos caminhando juntos e descobrindo mais a respeito desta tal felicidade. Há no entanto a necessidade de nivelarmos expectativas. Em um mundo de tweets e áudios em 2x, há o anseio por respostas e receitas rápidas, se esta é a sua expectativa, minha sugestão é que você já termine a leitura por aqui e lance mão da leitura do termo no dicionário ou caso queira um pouco mais, utilize o ChatGPT. Em 1 minuto, sua curiosidade será saciada. O objetivo aqui é dissertar, refletir e pensar criticamente, sem a pretensão de esgotar todas as possibilidades.

Sigamos adiante, sabendo que a simplificação da felicidade como um instante que vale por si só é importante, mas como em uma peça de teatro, ou um bom filme, ler o seu resumo na Internet, não lhe proporcionará a mesma alegria do que estar presente e atento enquanto a trama se desenrola.

Melhor do que ontem

Posted on 26/04/202326/04/2023 by Paulo Gontijo

Então ele acorda novamente as 5 da manhã, desanimado e com vontade de permanecer na cama, afinal o motivo para acordar tão cedo já não existe mais: a tal prova de Ironman que aconteceria dentro de 1 mês foi cancelada devido a pandemia. Mesmo assim, meio que automaticamente, ele levanta, toma um café quente na manhã fria, satisfaz o gosto doce do ócio, deslizando o dedo sobre o feed do Instagram. Ali permanece por longos minutos até que finalmente sobe na bicicleta, que parada no rolo o aguarda. Coloca os fones de ouvido e lentamente começa a girar o pedal. Neste ritmo, pensa: nem uma gota de suor cairá pelos próximos, duros, 60 minutos, mas então sem nem mesmo saber porque, permanece ali, ouvindo um podcast com o consagrado Bernardinho.

O tempo passa, 20 minutos apitam no cronômetro, o sangue já irrigou os vasos da perna e o corpo, já aquecido, pede um pouco mais de força. Ele, ainda desanimado, empenha 2 minutos de um tiro forte no pedal, mas logo pensa: por hoje é só. Então descansa por mais 2 minutos e novamente um tiro de 2 minutos, desta vez mais forte. A esta altura, o podcast já não chama mais a atenção, mesmo sendo o seu ídolo a falar através dos fones de ouvido. A playlist recebe agora “O Rappa” e a euforia e a ofegância liberam a adrenalina. Um novo tiro de 2 minutos, ainda mais potente é dado e novamente mais um e mais um, até o misericordioso tiro final.

Ufa! Acabou! Agora a endorfina toma conta de suas veias e a pergunta logo vem a mente: Por que diabos você levanta tão cedo se nem o grande objetivo tens mais? Ele, sem saber a resposta exata, apenas reflete: porque a vida, aquela que vale a pena ser vivida, não está só no salário, que no meio de tanta incerteza ainda cai no fim do mês, nem tão pouco a felicidade está só na saúde, que mesmo em tempos de pandemia o agracia e a família com imunidade em alta, por fim não está só na felicidade trazida pela comunhão com a esposa e filhas que tanto o amam e cuidam.

A vida, reflete, aquela que vale a pena ser vivida está na combinação de tudo isso: reserva financeira, saúde, amor familiar, mas ainda mais, na vontade de ser cada dia melhor: não melhor do que o outro, mas melhor do que a sua própria versão de ontem.

Estas são minhas reflexões ao ver o gráfico que ilustra este artigo. O gráfico é dado pela tal bicicleta e mostra, a cada 2 minutos um empenho melhor do que os 2 minutos anteriores. É apenas, numa escala micro, a tangibilização da versão do eu de agora melhor do que o eu do passado.

Nota: Muitos ciclistas pedalam por horas na potência que pedalei por apenas 2 minutos, mas será que a felicidade está em ser melhor do que eles ou “simplesmente” ser melhor do que eu mesmo? Sigamos em frente, afinal atrás vem? Eu mesmo.

Texto escrito em 06 de maio de 2020.

Poema em linha reta

Posted on 28/03/202328/03/2023 by Paulo Gontijo

Por vezes, falo e escrevo sobre minha opinião sobre redes sociais. Consegui ao menos temporariamente banir Instagram e Facebook, mas ainda passeio pelo LinkedIn e Whatsapp.

As redes ocupam o tempo deliciosamente. Não tem nada para fazer? Abra o app e movimente os dedinhos de baixo para cima! Dose garantida de dopamina.

Apenas por entender que estas (Instagram e Facebook), ocupavam meu tempo, que poderia estar sendo mais bem utilizado com leituras, esporte e convivência social e que refletiam um mundo ( dos outros também meu) que me parecia tão distante da realidade, decidi parar de usar.

Reconheço a sua utilidade e importantes pessoas que admiro, relataram ótimos exemplos em seu uso. Clovis de Barros Filho usa para atingir gente que antes ele só atingia nas salas de aula da USP. O triatleta André Sanches, citou em um vídeo recente no Youtube, como conheceu um cara bacana que o apoiou quando foi competir na Africa do Sul e isso só ocorreu pois um seguia o outro no Instagram e por lá começaram a trocar mensagens. Tbm tenho em mente o caso de amigos, que através do Instagram, vendem peças e acessórios que são o sustento da família.

Concluo assim, que obviamente há benefícios no seu uso, mas eu, talvez pela minha incapacidade de ser rigoroso com o seu uso e por entender que pelos motivos que citei me causam mais perdas do que ganho, decidi abandoná-las.

Sobre LinkedIn e Whatsapp, ainda luto, quem sabe um dia as abandone também, ou talvez não! Talvez esta seja minha dose limitada de dopamina digital, que assim como a cerveja do final de semana, me permitirei usar, mesmo que me afaste dos objetivos principais. Decisão postergada! Tema para outra oportunidade 🙂

Esta introdução é apenas para compartilhar o que hoje li de Fernando Pessoa, que reflete muito bem meus pensamentos a cerca desta parte do mundo que é mais irreal do que real, mais fantoche do que de verdade.

POEMA EM LINHA RETA

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das
etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Autor: Fernando Pessoa, em seu heterônimo: Álvaro de Campos

  • Previous
  • 1
  • 2
  • 3

Postagens recentes

  • Reflexões sobre esta loucura que é viver
  • 42
  • Livre-arbítrio
  • Maluco Beleza
  • O peso da culpa

Arquivos

  • janeiro 2026
  • novembro 2025
  • setembro 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • julho 2024
  • maio 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • dezembro 2023
  • outubro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • abril 2023
  • março 2023

Categorias

  • Reflexões
© 2026 Paulo Gontijo | Powered by Minimalist Blog WordPress Theme